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CÁSSIA LIMA

O Teatro Mágico animou a primeira noite (dia 1º) do Festival de Música no Meio do Mundo, no Marco Zero do Equador, realizado em 2014. Cerca de 3 mil pessoas cantaram, choraram, sorriram e se emocionaram com os sucessos do grupo. A letra das músicas estava bem ensaiada pelo público que não desafinou e emocionou o grupo pelo carinho e cuidado sem fim.

A trupe de músicos tem 10 anos de carreira, cinco álbuns e passou pelo ao estado pela segunda vez. Na oportunidade, lançaram o novo cd, “Grão do Corpo”, que já está entre os 10 mais vendidos do Itunes. Os integrantes do grupo se apresentam maquiados e vestidos de palhaço, trazendo a ideia do “personagem interno” escondido em cada um de nós.

Uma das performances do grupo que mistura músico, circo e teatro

Uma das performances do grupo que mistura músico, circo e teatro

O Teatro Mágico é um grupo musical formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo.  Criado pelo vocalista, Fernando Anitelli, que teve a ideia de um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura, da política e do cancioneiro popular, tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos numa mesma apresentação.

Performática Andréa Babour e a fã Bruna Luiza

Performática Andréa Babour e a fã Bruna Luiza

A formação atual tem Fernando Anitelli (Voz e Violão), Ricardo Braga (Percussão), Rafael dos Santos (Bateria), Guilherme Ribeiro (Teclados), Sergio Carvalho (Baixo) e Daniel Santiago (Guitarra).

Fãs se emocionam com o carinho do grupo

As amigas Bruna Luiza e Maggy Atsuko não acreditaram quando a performática do Teatro Mágico, Andréa Barbour, saiu do camarim e foi atender o público. “É uma emoção sem fim. Nem sei o que falar. O trabalho deles me inspira profundamente. São pessoas queridas e quando vemos ela aqui na nossa frente, vemos que podemos tocar e sentir, parece algo surreal”, disse ainda emocionada Bruna Luiza.

O carinho é recebido com muita felicidade pelos integrantes da trupe. De acordo com a performática, o público amapaense é um espetáculo a parte. “Nós costumamos dizer que o público é uma extensão do grupo. Às vezes só de olhar no olho percebemos o amor intenso por nós. Queremos levar os amapaenses conosco, eles tem uma energia e um sorriso que nos inspira. Eu me senti cuidada aqui no Amapá”, contou Andréa Babour.

A repórter de SelesNafes.Com (e fã da banda) Cássia Lima foi ao show, mas antes conseguiu conversar com o fundador e vocalista do grupo, Fernando Anitelli. Confira alguns trechos:

 Como foi a criação da trupe?

Fernando Anitelli: O Teatro Mágico é um grupo essencialmente musical, mas que envolve circo, teatro, música, poesia e tem um pouco de improviso. Então tem música aérea sobre nossas cabeças, tem a música que provoca, tem o momento da graça. Nós queremos brincar com essas mais variadas expressões artísticas e simplificar as coisas que acontecem dentro de um sarau.

 Porque a introdução do circo no grupo?

Fernando Anitelli: Bom, nós já nascemos com essa proposta. A ideia do projeto era justamente mesclar variadas expressões artísticas. Então, a gente sabia que era desde sempre essa introdução circense, mas que todos teriam interferências teatrais. E fomos experimentando ao longo do tempo. A gente já foi muito mais circo, hoje, usamos mais ballet, performance e outras técnicas de expressão em cima do palco. Justamente porque gostamos de experimentar variadas coisas num mesmo projeto.

 

Cerca de 3 mil pessoas foram até o meio do mundo acompanhar os artistas da "música livre"

Cerca de 3 mil pessoas foram até o meio do mundo acompanhar os artistas da “música livre

Quais são as referencias artísticas d”O Teatro Mágico?

Fernando Anitelli: Tem um monte. Eu gosto de música boa que é aquela que toca meu coração. Tem coisas do Milton Nascimento, Clube da Esquina, Flavio Venturini, Secos e Molhados, Mutantes, Legião Urbana, Raul Seixas. É tudo tão vasto, eu acho até ruim falar assim, porque a gente sempre esquece um bacana que a gente ouve. E um monte de som que toca nosso coração. A gente ouve tudo isso é tenta traduzir da nossa maneira.

As letras das músicas são muito inteligentes e sentimentais. De onde vem essa inspiração para compor?

Fernando Anitelli: Primeiro obrigado. É sempre um grande prazer ouvir isso. Nós buscamos compor letras que tenham aquele “moral da história”, o porquê e pra que. Toda vez que a gente faz uma música pensamos em uma provocação, graça, amor, e tem horas que a gente contesta. Isso é o papel do artista, ele tem que contestar e trazer à tona o que outras pessoas não fariam. É importante trazer letras inteligentes, assuntos pertinentes ao nosso cotidiano. A preocupação é essa. 

Momento de interação poética com o público

Momento de interação poética com o público

Qual a importância da internet como divulgação do trabalho?

Fernando Anitelli: O Teatro está lançando o Grão do Corpo, e o nosso clipe o “Sol e a peneira” já têm mais de 250 mil visualizações na internet. Muita gente está conhecendo o nosso trabalho pela internet. E é isso, continuamos trilhando esse caminho da música livre. Levantamos essa bandeira da nova MPB- Música para baixar, onde todos tem acesso à cultura e com esse conceito que a gente trilha nosso caminho. E conversar com todo mundo. Aproximar todo mundo. Fazer com que a tua palavra tenha personalidade dentro do que esta acontecendo. Não é simplesmente jogar na internet e acompanhar e saber quem esta ouvindo, de onde é essa galera, do que se trata, o que você está falando para o mundo?

 Há mudanças no álbum novo?

Fernando Anitelli: O álbum A Sociedade do Espetáculo era o terceiro álbum da trilogia, ele trazia variados produtores, convidados, e composições até com o público. Era o álbum com mais parcerias nossas. Depois dele teve o Recombinando Atos, que era ao vivo e traduzia o que era uma apresentação do Teatro Magico durante esses 10 anos. Grão do Corpo traduz mais esse novo momento que a gente vem atravessando com a nossa sociedade.

O grupo está em fase de transformações. Como está sendo essa aceitação do público?

Fernando Anitelli: Está sendo muito bacana. O pessoal está muito curioso para saber o que está acontecendo com essa atualidade d’O Teatro Mágico. E a gente fica feliz da vida de saber que o projeto está se propagando pelo país todo através dessa bandeira da música livre, do livre compartilhamento, do acesso ao site. Enfim, é só alegria.

 

Fernando Anitelli: músicas para baixar

Fernando Anitelli: músicas para baixar

O que o novo álbum pretende transmitir?

Fernando Anitelli: A sociedade está passando por diversas mudanças. Pessoas são amarradas em postes, assassinadas pela sua orientação sexual e ninguém fala sobre isso. Essas coisas estão passando despercebidos como uma coisa comum. Tem ainda a visão deturpada da mulher hoje em dia na sociedade. A gente coloca isso nas letras para traduzir um pouco mais esse momento, mas a gente traz o lúdico, alegria, poesia, com questionamento e esse é o Teatro Mágico. Uma feijoada sonora.

Esta é a segunda vez no Amapá. Como está sendo esse retorno ao Meio do Mundo?

Isso está sendo uma delícia. O povo muito querido, um lugar maravilhoso para se fazer uma apresentação. A vibe é toda positiva. Nos sentimos em casa, cuidados, seguros e felizes com tanto amor.  Nós já fomos a alguns lugares de barco mesmo no Rio Amazonas. A trupe fez visita na Ilha de Santana, lugar lindo. Conheceu outros lugares e pessoas. Temos um baita de um orgulho de está aqui. É um lugar querido que sempre nos recebe muito bem.

Como é o Fernando Anitelli sem esse figurino?

Fernando Anitelli: É um cara que sempre tá buscando fazer uma coisa bacana. Buscando seu melhor com muita responsabilidade. Estar aqui no Amapá falando com uma porção de gente, várias mídias, isso é muita responsabilidade. Essa galera linda esperando a gente.

Há possibilidade de sair um DVD por aí?

Fernando Anitelli: Ainda não. Passam várias ideias, mas o grupo sente que tem mais chão para caminhar com esse álbum, aí sim lançar um dvd. Mas isso, posteriormente.  

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