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CÁSSIA LIMA

O anúncio feito na semana passada pela Secretaria da Receita Estadual (SRE) sobre a redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no setor automotivo incomodou os empresários do setor no Amapá. Ao contrário do governo, eles afirmam que o preço do carro novo não vai baixar por causa disso.

Segundo os revendedores de automóveis, a lei estadual aprovada pela Assembleia Legislativa dia 29, não reduz a alíquota do ICMS, apenas regulamenta um benefício que já vinha sendo praticado de forma precária por meio de decreto governamental.

“A secretaria está equivocada quando afirmou que houve a redução. A alíquota é de 12% há mais de 20 anos. Mas desde 2006 essa regulamentação dependia de decreto do governo. O que mudou esse ano é que o decreto virou lei”, destacou Otaciano Júnior, diretor da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Ele concedeu entrevista ao site SELESNAFES.COM sobre o mercado automotivo no Estado, alíquota do ICMS e perspectivas de crescimento.

Benefício vinha sendo editado todos os anos pelo governo. Foto: Arquivo

Benefício vinha sendo editado todos os anos pelo governo. Foto: Arquivo

Como o senhor avalia o mercado automotivo no Amapá que já foi considerado muito bom?

O mercado ainda é bom. Nos últimos 15 anos tivemos um crescimento de 300%. Saímos da venda de 2 mil carros em 2000 e passamos para quase 11 mil em 2010. Esse é um crescimento de país de primeiro mundo. Claro que nos últimos cinco anos houve uma queda de 32% nas vendas, mas o crescimento anterior acaba superando.O país passa por uma crise, e nesse momento estamos em processo de adaptação. O Estado, por sua vez, tem que fazer o dever de casa no sentido de economizar.

Algumas concessionárias fecharam nos últimos 2 anos. Eram muitas empresas para o tamanho do mercado ou foi à crise?

Fecharam porque existiam muitas concessionárias. Ora, o mercado estava adequado para 10 mil carros e fizemos o ajuste para 7 mil que é a demanda atual. Estamos ajustando custos, fechando revendas e cortando campanhas que não são viáveis nesse momento. A tendência é ter mais uma pequena queda. Para citar um exemplo, o grupo Caoa, que é a maior concessionária do Brasil e possui um rendimento maior que o orçamento do Amapá, fechou sua revendedora no Estado. O mercado diminuiu sua demanda e nós fizemos reajustes.

Macapá é uma Área de Livre Comércio com isenção do IPI. Os carros utilitários não deveriam ser mais baratos que no resto do Brasil?

E são. O IPI é de apenas 8%. Para o automóvel a alíquota varia de 10% para veículos 1.0 até 35% para veículos importados. Se você pega um utilitário com valor médio de R$ 45 mil, o desconto desse carro é de R$ 3,6 mil. Mas eu tenho frete de Belém para Macapá que é de R$ 2 mil, as pessoas tem dificuldade de entender. Além disso, é importante destacar que a isenção é apenas para carros utilitários.

Quem tem carro usado para dar de entrada pode fazer bom negócio nessa época de crise

Quem tem carro usado para dar de entrada pode fazer bom negócio nessa época de crise

Os juros altos e o aumento do dólar não dificultam ainda mais o financiamento de carros?

Não! O que dificulta é o endividamento das famílias. Os juros altos prejudicam as pessoas que não têm dinheiro para a entrada. Então, aonde é que estão os juros elevados? É para aqueles que não têm 15 mil para dar 40% de entrada em um carro de R$ 40 mil. O problema é que as pessoas fizeram despesas e se endividaram. Agora ela não têm renda para dar entrada.

O que as concessionárias e fábricas podem fazer para vender bem?

Olha, não tem muitas coisas a fazer. O Brasil precisa voltar a crescer. Todos os setores só podem crescer depois que o país voltar a crescer e as pessoas tiverem novamente o poder de consumo. Quem economizou e tem dinheiro para dar entrada, seja em veículos ou outro bem, o ano vai ser bom. Mas para quem está pagando parcelas de eletrodomésticos e móveis, não vai ser fácil.

Pelo andar da carruagem, como deverá ser o ano para as concessionárias?

Vai ser muito difícil para todo o povo brasileiro. Muitas pessoas vão comprar carros dando o usado de entrada, o problema é que isso não vai ampliar o mercado. Quem tem carro usado ou tem dinheiro para dar entrada vai se dar bem, mas que não tem nenhum dos dois vai ser difícil. Para as montadoras vai ser ótimo porque elas estão ajustadas. O ruim vai ser para o setor público, que ainda está deitado em berço esplêndido. Esse vai ter que se reinventar.

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