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CÁSSIA LIMA

O Amapá tem a 19ª cesta básica mais cara do Brasil. Parece ruim, mas o estado perde para outras 18 unidades da federação onde o custo de vida está maior para o trabalhador que recebe apenas um salário mínimo. Os dados são de um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No Amapá, a compra de 12 itens mais consumidos custa no bolso do amapaense R$ 354,21.

As estatísticas foram divulgadas nesta terça-feira, 16, e apontam que o amapaense compromete 43,75% do salário de R$ 880 com a cesta básica.  São duas semanas de trabalho só para pagar uma cesta.

“O trabalhador (que recebe salário mínimo) precisa trabalhar 88 h e 33 minutos para comprar a cesta com esses 12 itens. Fizemos uma pesquisa que abrange os meses de dezembro e janeiro. Isso leva em consideração o aumento no salário mínimo, mas fica claro que no Amapá, assim como, no resto do país, o trabalhador não é remunerado de forma digna”, explicou Patrícia Souto, diretora regional da Dieese no Amapá.

A pesquisa avaliou o preço de 12 itens, de acordo com o decreto 399 de 30 de abril de 1938, são eles: carne, leite, feijão, arroz, farinha, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.

Patrícia Souto, diretora regional do Dieese: 88 horas de trabalho para comprar a cesta

Patrícia Souto, diretora regional do Dieese: 88 horas de trabalho para comprar a cesta

O preço de cada mantimento foi calculado com base na pesquisa de 30 supermercados, 30 padarias, 30 açougues e 15 feiras no Estado.

“Um cidadão amapaense precisou trabalhar 23h50m para comprar 4,5 kg de carne em janeiro deste ano, 7 h a menos que em dezembro de 2015”, frisou a assessora técnica nacional do Dieese, Lilian Arruda.

Lilian Arruda, do Dieese: 7 horas de trabalho para comprar 4,5 kg de carne. Fotos: Cássia Lima

Lilian Arruda, do Dieese: 7 horas de trabalho para comprar 4,5 kg de carne. Fotos: Cássia Lima

Segundo a técnica, a pesquisa considerou  uma família de 4 pessoas, com pai, mãe e dois filhos. O que ainda não retrata a realidade do Amapá, já que segundo o censo do IBGE, as famílias do Estado tem média de 3 a 6 filhos.

“Hoje o trabalhador ganha um valor incompatível com a carga de trabalho. Esperamos que esse  encontro e divulgação de dados sirva de base nas negociações de trabalho e salário do Estado com seus funcionários”, destacou Arruda.

A partir de fevereiro, as estatísticas serão divulgadas de forma mensal. O Dieese mostrou ainda que Brasília tem a cesta básica mais cara do país com R$451, 73. No Norte, o Amapá perde para o Pará, por exemplo, onde a cesta com os mesmos 12 itens custa R$ 374, 50.

Ficou claro também que houve um aumento de 12% no valor de produtos como açúcar, feijão, tomate, banana, café, arroz e leite em janeiro se comparado ao mês de dezembro, quando o salário mínimo era de R$ 788,00.

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