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SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (REDE-AP)

A crise política atingiu patamares nunca antes imaginados. A população se decepciona mais a cada dia com cada novo escândalo que surge nas entranhas do legislativo e do executivo. Os últimos episódios envolvendo a própria presidente da república, o ex-líder de governo, o vice-presidente, ministros, figuras da oposição e a maior liderança política do país, o ex-presidente Lula demonstram o quão deteriorado está o ambiente político do país.

Respeito o legado social do presidente Lula. Seu governo representou avanços para o combate às desigualdades e para a recuperação econômica do país. Mas isso não lhe dá salvo-conduto para agir como tem agido frente às instituições, o parlamento e o judiciário. Nomeá-lo ministro-chefe da casa civil quando encontra-se no turbilhão da maior operação anti-corrupção da história da república é uma enorme afronta ao país.

Randolfe: "Nomeação é uma afronta ao país"

Randolfe: “Nomeação é uma afronta ao país”

Por outro lado, não podemos delegar todo poder a juízes, procuradores e  – principalmente – delegados de polícia federal. Se é verdade que as instituições judiciárias precisam de ampla autonomia, também é verdade que elas são limitadas pela constituição a não ter atuação política. Vazamentos seletivos, grampos ilegais e busca por holofotes não pode ser a prática comum de quem deve atuar com a discrição necessária para o sucesso do que pratica.

Assim, tanto juridicamente devem ser averiguados excessos e reparadas eventuais injustiças quanto politicamente não se pode desconsiderar a gravidade de tudo o que se tem divulgado envolvendo todos esses agentes políticos da mais alta posição. Infelizmente – e digo infelizmente para a democracia e para o país -, o governo recém-eleito, o governo do PT/PMDB, se inviabilizou e perpetuá-lo é uma irresponsabilidade para com o Brasil.

Creio nas instituições e neste momento confio na prudência e na celeridade do poder judiciário para que o TSE decida nos autos da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (Aime) nº 761, a cassação da chapa Dilma/Temer. Dessa forma, novas eleições poderiam ser convocadas ainda para 2016.

Também tenho me esforçado para encontrar, dentro da Constituição e das Leis, mecanismos para devolver ao povo a opção por cassar os mandatos da presidente e do vice e eleger novos representantes, permitindo a unificação do país para sairmos da crise.

Novas eleições, aprofundar a democracia: o país precisa e o povo merece.

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