Compartilhamentos

ANDRÉ SILVA

Com 28 anos de criação, o Bairro Brasil Novo, na Zona Norte de Macapá, é um dos bairros mais populosos da capital. De acordo com a associação de moradores do bairro,  são mais de 20 mil eleitores. A falta de policiamento, iluminação pública, saneamento básico, assistência à saúde e o aumento do tráfico de drogas, são as principais queixas dos moradores.

Uma entidade representa três comunidades, a Associação de Moradores, Comerciantes e Amigos do Bairro Brasil Novo, Loteamento Liberdade e Palmares. A presidente da entidade, Wanda Cruz de 49 anos, diz que o trafico de drogas já chegou até às escolas do bairro.

Ela já viu muitos dramas familiares, entre eles o caso de duas crianças de 10 e 11 anos que serviam de “avião” do tráfico. Elas eram aliciadas por um adolescente de 14 anos.

Wanda Cruz: assalto na porta de casa. Fotos: André Silva

Wanda Cruz: assalto na porta de casa. Fotos: André Silva

“O tráfico de drogas aqui preocupa. Daqui do início do bairro até o fim da rua que vai dar na beira do lago onde tem boca de fumo. Dentro da Escola Maria Mãe de Deus já tinha crianças de 10 e 11 anos levando droga para dentro da escola para aliciar outras crianças. Tinha um outro de 14 anos que levava droga pra eles. Eles começaram a roubar coisas dos pais que notaram a situação e chamaram a associação para ajudar”, lembra com tristeza a presidente.

Ela comenta que a família dos dois menores teve que se mudar do bairro para evitar que os filhos continuassem com as más companhias.

UPC sem viatura

UPC sem viatura

Comerciante Kellyane Ferreira: vizinhos comerciantes já foram assaltados

Comerciante Kellyane Ferreira: vizinhos comerciantes já foram assaltados

Os assaltos também preocupam os moradores. Até a presidente já foi vítima.

“Eu fui assaltada aqui na frente de casa. Um homem chegou perto de mim com uma faca e me rendeu. Ele veio pela beira desse mato que fica aqui no lado de casa que inclusive mandei roçar, por que o dono não se importa”, relatou Wanda.

Os comerciantes também amargam prejuízos com os assaltos. Segundo a comerciante Keliane Ferreira, de 29 anos, vários estabelecimentos que funcionam próximos ao dela já foram assaltados.

“O policiamento aqui é muito precário. O pessoal da papelaria já foi assaltado duas vezes. Aqui ao lado muitas vezes também. Até a polícia chegar aqui os bandidos já fugiram para longe”, queixa-se.

Rildo Ferreira: precisamos fazer a nossa parte

Rildo Ferreira: precisamos fazer a nossa parte

O bairro conta com uma UPC que deveria fazer o patrulhamento de toda a área, mas segundo moradores apenas dois policiais fazem o trabalho. A única viatura que patrulhava o bairro foi retirada.

Saneamento

Além da falta de segurança que assusta os moradores, a falta de limpeza também é um caso sério. Dentro do Brasil Novo existem outras comunidades: o Brasil Novo II, Loteamento Liberdade e Loteamento Palmares. Os moradores se unem em mutirões.

Ruas em péssimas condições pioram o cenário

Ruas em péssimas condições pioram o cenário

“A gente se uniu em um grande mutirão no ano passado para fazermos uma limpeza nas ruas. Poda de árvores, pintura de postes…É claro que poucos ajudaram, mas conseguimos amenizar o problema. Quando chega a época de chuvas, as crianças costumam adoecer mais. Esse ano nós não ouvimos muitas queixas dos vizinhos, sinal de que o trabalho que fizemos valeu a pena. Não adianta esperar só pelo poder público. Precisamos fazer nossa parte”, disse o professor Rildo Ferreira, morador do loteamento Liberdade.

Travessia perigosa, principalmente para crianças

Travessia perigosa, principalmente para crianças

O professor comenta que as crianças que moram no Conjunto Macapaba, Amazonas e Palmeiras, que vão até bairro para estudar nas escolas de lá, correm riscos ao atravessar a BR 210. A solução para ele seria a construção de uma passarela. 

 

Compartilhamentos