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CÁSSIA LIMA

Os servidores de saúde que estão no quinto dia de braços cruzados prometem não arredar os pés de frente da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no Centro de Macapá, enquanto o governo não negociar com a categoria. Os funcionários falam em condições de trabalho precárias, mas também há o descontentamento com o parcelamento de salários e reajuste.

De acordo com os trabalhadores, as chuvas têm alagado setores no Pronto Atendimento Infantil (PAI) do Hospital da Criança, Hospital de Emergência de Santana, Hospital de Emergência de Macapá e Hospital da Clínicas Alberto Lima (Hcal).  

Ismael Cardoso, presidente do Sindsaúde: 150 pacientes para 12 funcionários. Fotos: Cássia Lima

Ismael Cardoso, presidente do Sindsaúde: 150 pacientes para 12 funcionários. Fotos: Cássia Lima

“Nós temos muita dificuldade no nosso dia a dia. O tratamento muitas vezes é com o paciente no chão mesmo. Falta material e falta funcionário. Na clínica cirúrgica já chegamos a trabalhar com 150 pacientes para 12 funcionários. Não tem como oferecer um trabalho bom com essas condições”, queixou-se o técnico de enfermagem do Hospital de Emergência, Adelson Santos.

O movimento realizou paralisação de advertência na quarta, quinta e sexta-feira da semana passada. Nesta segunda, 11, a greve de cinco dias teve início.

O grevistas têm como pautas a data-base, melhores condições de trabalho, sobrecarga de trabalho e pagamento de plantões extras, além de melhor infraestrutura dos hospitais.

“Hoje nós não temos condições mínimas de trabalho. Não estamos falando apenas da melhoria de trabalho ao servidor, mas do próprio atendimento ao paciente também. Queremos um diálogo e não desculpas do governo”, alegou o presidente do Sindicato de Enfermagem e Trabalhadores da Saúde do Amapá (Sindesaúde), Ismael Cardoso.

Todas as unidades da rede hospitalar apresentam problemas estruturais, diz sindicato. Foto: Arquivo

Todas as unidades da rede hospitalar apresentam problemas estruturais, diz sindicato. Foto: Arquivo

Ismael alega que apenas uma vez conseguiu conversar com a Sesa, e a reunião não teria sido positiva.

“Eles dizem que não vão pagar plantão porque ainda não venceu a data. Que não vão chamar os concursados porque não tem dinheiro. Que não fazer isso ou aquilo. É não pra tudo. Como não tem dinheiro se dobrou o número de contratos administrativos”, frisou o presidente.

A Secretaria de Saúde rebateu as críticas do movimento por meio de uma nota onde informa que os plantões fevereiro, março e abril serão pagos na folha de abril, como já teria sido informado ao Sindsaúde.

“Para reduzir a superlotação nas unidades hospitalares, a Sesa avança no processo de fortalecimento da rede com a realização de campanhas e a instalação de um sistema que confere a classificação de risco para os pacientes”.

Em relação à sobrecarga, a Sesa informou que está tomando providências para chamar os concursados de 2012.

“Sobre a infraestrutura das unidades hospitalares, a Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) já está em execução de um levantamento para melhora das estruturas”, finaliza a nota.

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