Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA e SELES NAFES

Servidores da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) realizaram na manhã desta quinta-feira, 7, uma assembleia geral em frente a companhia para se posicionar sobre a possível nomeação do secretário parlamentar da deputada federal  Josy Araújo (PTN-AP) para a presidência da estatal. Rubens Alves Gomes, que não é da área e nem funcionário do setor elétrico, teria sido nomeado para assumir presidência da CEA na próxima segunda-feira,11.

Os funcionários da Companhia não aceitam qualquer interferência política nos cargos de alto escalão da empresa, pertencente à Eletrobras. A CEA possui 546 funcionários em todo o estado.

 

“Ainda não houve mudança ou posse. Mas não vamos aceitar interferência política mesmo porque temos uma recomendação no Protocolo de Intenções com a Eletrobras que todos os cargos de diretoria devem ser ocupados por funcionários de carreira”, argumentou o funcionário da CEA, Luiz Alberto.

Luiz Alberto, servidor da CEA: "não vamos aceitar interferência política". Fotos: Cássia Lima

Luiz Alberto, servidor da CEA: “não vamos aceitar interferência política”. Fotos: Cássia Lima

A CEA possui 4 diretorias: presidência, diretoria administrativa/financeira, diretoria de planejamento e expansão, e diretoria de operação. Atualmente, 2 delas são nomeações da Eletrobras e duas indicações do Governo do Estado. Caso seja alterada a presidência, os servidores temem mudanças drásticas na companhia.

Depois da interligação do sistema elétrico do Amapá com o Linhão de Tucuruí, a CEA conduz um amplo processo de revitalização e ampliação da rede de distribuição de energia. A nomeação de uma pessoa que desconhece o sistema, pode gerar um retrocesso, além de outros danos.

Ato mobilizou dezenas de servidores que prometem uma paralisação caso a posse se confirme na próxima segunda, 11

Ato mobilizou dezenas de servidores que prometem uma paralisação caso a posse se confirme na próxima segunda, 11

“Nós pagamos a conta até hoje de má-gestões que passaram por aqui. Inclusive, todas eram indicações políticas. Geralmente essas indicações usam a empresa para favorecimento em campanhas eleitorais e nós não vamos aceitar que a companhia afunde em dívidas novamente”, destacou o funcionário da CEA e presidente do Sindicato dos Urbanitários, Audrey Cardoso.

A assembleia encaminhou ao governo do Estado um documento sinalizando a posição contrária à alteração. O problema é que o Executivo estadual passou a ser minoria na administração da companhia depois da federalização em 2014.

Audrey Cardoso, presidente do Sindicato dos Urbanitários: partidos usam a empresa e benefício próprio

Audrey Cardoso, presidente do Sindicato dos Urbanitários: partidos usam a empresa e benefício próprio

O manifesto também foi encaminhado à Eletrobras e Casa Civil da Presidência da República. Os servidores ameaçam paralisar os serviços caso o indicado tome posse.

Rubens Alves Gomes e pode substituir o funcionário de carreira da Eletrobrás/Eletronorte, Ângelo do Carmo, que assumiu a presidência da CEA em novembro de 2014.

Josy Araújo: ocupando espaços

Josy Araújo: ocupando espaços

Josy Araújo passou menos de 1 ano como presidente da Federação das Indústrias do Amapá e foi afastada após deixar a entidade sucateada. O nome dela também foi envolvido em um recente escândalo de corrupção envolvendo uma cooperativa que prestava serviços para a CEA.

No afã de se segurar na presidência da República, a presidente Dilma Roussef começou a distribuir cargos para deputados de partidos do chamado “baixo clero”, como o PTN. No mês passado, Josy conseguiu a gerência do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), e na semana passada conseguiu empossar o novo gerente regional da Eletronorte. A CEA seria a cereja do bolo. Por enquanto.  

Compartilhamentos