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MANOEL DO VALE

De pele enrugada, resultado de uma vida toda trabalhando sob o sol, José Gomes tem a força e vitalidade de quem já se acostumou ao trabalho pesado, penoso e humilde. Mas, nem por isso desprovido de importância.

Potiguar – apelido dado à ele e aos nascidos no Rio Grande do Norte -, seu José é pescador desempregado e mora de favor com a família, na sede da Associação dos Servidores da Saúde (Asseap), na rodovia JK, ao lado da Embrapa.

Vivendo de pequenos bicos em Macapá, Potiguar faz parte de um segmento produtivo que vem ganhando espaço nos centros urbanos brasileiros, os agricultores urbanos, que desenvolvem a permacultura, sistema que se preocupa em construir ambientes humanos sustentáveis e produtivos, e que promovam o equilíbrio ambiental nas áreas urbanas.

Produtos sāo orgânicos, sem uso de agrotóxicos

Produtos sāo orgânicos, sem uso de agrotóxicos

Sem camisa e calçando uma botina, que parece maior do que o número que calça, ele capina o mato que invade os pés de feijão, quiabo e maxixe que cultiva na pequena faixa de terra ao longo da rodovia JK, entre a estrada e o muro da Asseap. A plantação tem cerca de mil pés de feijão – do branco e do vermelho -, e mais de 200 pés de quiabo e maxixe. A produção garante a ele até R$ 60 por dia, renda com a qual ele garante a subsistência da mulher, duas filhas, genro e netos.

Seu José diz que no começo as pessoas diziam que dali ele não iria comer uma vagem de feijão se quer, porque o pessoal não iria deixar.

“Mas ninguém nunca mexeu ou destruiu. Se mexer pra comer, eu até entendo, mas pra destruir, aí não pode”, ressaltou o agricultor urbano, acrescentando que a terra na JK “é melhor pra plantar, é terra boa, e aqui vive abandonado, ninguém capina”.

Além do feijão, o maxixe e o quiabo, seu José cultiva ainda cebola, cheiro-verde e jiló, próximo a casa onde mora, dentro da sede da Asseap. Cuidadoso, montou viveiros e cobriu com tela para proteger as hortaliças do apetite dos camaleões.

Os produtos de seu José Gomes são orgânicos e podem ser comprados diretamente com ele. O agricultor não tem celular, o jeito é dar uma passadinha lá na sede da Asseap, ao lado da Embrapa e fazer a encomenda.

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