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CÁSSIA LIMA

Com o objetivo de facilitar o acesso, desconstruir o racismo e dar visibilidade a população afrodescendente, foi criado na manhã desta terça-feira, 10, o Comitê Técnico de Saúde Integral da População Negra do Amapá. A proposta é capacitar os profissionais da saúde para atendimento e preenchimento de uma ficha que especifica a cor e a raça de pessoa.

A ficha busca ajudar nas estatísticas de doenças, atendimentos e mortalidade da população negra. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 73,9% da população é de negros. Mas, de acordo com o Ministério da Saúde, nem 40% dos negros acessa o Sistema Único de Saúde (SUS).

“A ideia é que essa população tenha o acesso à informação como todas as outras pessoas têm. Vamos capacitar os profissionais para esse atendimento e para o preenchimento de uma ficha. Queremos combater o racismo velado que existe. Para se ter ideia, na campanha do Outubro Rosa, apenas uma mulher negra teve acesso, de 180 que participaram”, disse Pedro Alencar, coordenador de Saúde Afrodescendente do Amapá.

Viviam Pinheiro

Viviam Pinheiro, membro do comitê: poderemos criar políticas da saúde da populaçāo negra. Fotos: Cássia Lima

O Comitê terá como função buscar a equidade na saúde da população negra, o reconhecimento do racismo, o combate às desigualdades étnico-raciais e do racismo institucional. Para Viviam Pinheiro, membro do comitê representando a sociedade civil, o atendimento do SUS não é o correto para essa parcela da populaçāo.

“Nós sabemos que a anemia falciforme é peculiar dos negros, então, muitos profissionais têm preconceito com isso. O comitê irá monitorar as doenças. Com esses dados em mãos, poderemos criar políticas da saúde da população negra”, explicou.

Angelica Costa é presidente da Associação das Doenças Falciformes. Ela acredita que o Comitê irá conscientizar a população e os servidores sobre o preconceito e um atendimento mais humanitário.

Angelica Costa

Angelica Costa, presidente da Associaçāo de Doenças Falciformes: precisamos conscientizar de que essa doença pode dar em qualquer pessoa

“Existe esse preconceito por parte de muitos profissionais. Nós precisamos conscientizar os servidores da saúde que essas doenças podem dar em qualquer pessoa, e não é uma cor de pele que irá nos estigmatizar”, acredita.

O Comitê tem uma segunda reunião programada para o dia 13 de maio. Após isso, as 15 entidades que o compõem irão qualificar os profissionais da saúde sobre esse atendimento diferenciado, o preenchimento da ficha e uma campanha sobre a saúde do negro.

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