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CÁSSIA LIMA

Os pacientes do Hospital de Emergências (HE) voltam a enfrentar velhos problemas de lotação e falta de leitos. No último domingo, 29, um vídeo compartilhado nas redes sociais, mostrou uma criança de 4 anos sentada num leito improvisado com pedaços de papelões aguardando atendimento. Segundo a família da menina, não havia leitos disponíveis. A direção do hospital nega.

Rampa do HE

Corredores lotados próximos à rampa de acesso. Fotos: Cássia Lima

O vídeo de quase 30 segundos mostra a criança sentada no chão sobre papelões, esperando atendimento após ter o braço quebrado num acidente envolvendo um veículo.

“Não tem leito, e por isso os pacientes têm que se sujeitar a ficar aqui no chão”, reclamou a tia da menina, Alice Cleide dos Santos, no vídeo.

Depois da divulgação das imagens, a criança foi transferida para uma maca no HE. De acordo com a direção do hospital, a menina teria sido atendida e liberada no mesmo dia.

Recepção do HE

Recepção do HE sempre cheia

A superlotação no Hospital de Emergências vem de longa data. Em anos anteriores, pacientes da traumatologia chegaram a fazer protestos em frente ao HE contra as condições desumanas. No passado, outro vídeo gravado por acompanhantes mostrou água da chuva caindo em pacientes que estavam internados ali.

O hospital possui 30 leitos de internação, mas atualmente comporta 91 pacientes da ortopedia e 16 do pós-operatório. Os corredores da traumatologia estão cheios e a reclamação é a mesma: falta infraestrutura adequada.

Samuel aguarda cirurgia há 46 dias

Samuel aguarda cirurgia há 46 dias

“Eu estou internado há 46 dias com a perna quebrada. Há duas semanas não tenho previsão de cirurgia. Eu estava lá na rampa, e depois de pegar chuva fiquei com febre e aí me transferiram pra cá. Ninguém olha pra gente como ser humano, não”, destacou Samuel Rodrigues da Costa, de 19 anos, que aguarda cirurgia.

Segundo a diretora do HE, Rósalia Freitas, a superlotação é inevitável devido à crescente demanda de pacientes e a pouca infraestrutura do hospital, que só em maio atendeu 295 vítimas de transito em Macapá.

Rósalia Freitas, diretora do HE: Fotos: Cássia Lima

Rósalia Freitas, diretora do HE: “falta leito, mas não temos mais espaço pra colocar mais gente”

“A solução seria a gente conseguir leitos de retaguarda no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), mas lá já está cheio. Essa demora e lotação não é um problema do Hospital de Emergências, é um problema da rede pública. Essa criança nem ficou esperando, foi logo atendida. Falta leito sim, mas não temos mais espaço pra colocar tanta gente”, frisou.

A diretora conta que atualmente existem 40 pacientes que aguardam transferência para o HCAL. São vítimas de acidentes com lesões nos membros inferiores. A transferência ocorre porque no HE não tem mesa cirúrgica ortopédica. Pacientes de baixa e média complexidade ficam esperando cirurgia no hospital mesmo. Mas, a previsão pode variar dependendo da complexidade do caso e se não há pacientes com maior urgência de operação.

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