Compartilhamentos

SELES NAFES

Um funcionário da Câmara dos Deputados e a esposa dele foram presos no município de Tartarugalzinho, a 232 quilômetros de Macapá pela Polícia Rodoviária Federal do Amapá. Eles estavam transportando ilegalmente uma criança de 7 meses. Durante as investigações a Polícia Civil descobriu que a criança foi comprada da mãe em Oiapoque, no caso de ‘barriga de aluguel’.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Oiapoque para onde a criança foi levada pelos policiais rodoviários que desconfiaram da autorização que o casal portava. O documento foi emitido pelo Conselho Tutelar de Oiapoque, e, segundo a polícia, a conselheira teria sido ludibriada pelo casal.

Delegado Charles Correa: barriga de aluguel

Delegado Charles Correa: barriga de aluguel. Foto: Arquivo

Inicialmente o crime era de ‘embaraço’ de documentação do conselho tutelar, mas, em Oiapoque, a verdade começou a vir à tona. A criança nasceu em Oiapoque e teria sido vendida ao casal. De acordo com a polícia, a negociação teve uma mulher como intermediária. Ela ainda está sendo investigada.

De acordo com o delegado Charles Corrêa, que investiga o caso, em outubro do ano passado, quando a mãe estava prestes a dar a luz, o casal foi até Oiapoque convencido pela intermediária.  

“O acordo seria de pagar R$ 1 mil depois do parto. A mãe é garimpeira e não fez o pré-natal. Só na preparação para o parto, em Macapá, é que descobriu-se que ela é portadora do vírus HVI”, contou o delegado.

A equipe médica então optou em realizar um parto cesariano para que as chances de contágio para a criança fossem reduzidas em 10%. O parto ocorreu na Maternidade Mãe Luzia. Após o nascimento, o casal teria feito o desembolso do valor e já ficado com a criança. A mãe voltou para Oiapoque.

“Em Macapá eles tentaram viabilizar uma documentação para poder viajar com a criança, mas não conseguiram. Eles retornaram para Oiapoque achando que seria mais fácil conseguir o documento com a ajuda da mãe, mas houve um conflito com ela que alegou não querer mais vender a criança. Então o casal voltou para Brasília”, disse Corrêa.

A criança teria sido vendida por R$ 1.250. Foto: PC/Divulgação

A criança teria sido vendida por R$ 1.250. Foto: PC/Divulgação

No último dia 20, o casal voltou a Oiapoque para ‘passear’ e houve um novo encontro com a mãe. O casal conseguiu um documento do Conselho Tutelar para transportar a criança e estava indo para Macapá fazer o teste de HIV no bebê quando foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal que decidiu checar a história desconfiando do documento emitido pelo Conselho Tutelar.

No Ciosp, o padrasto da criança denunciou todo o esquema e os envolvidos acabaram confessando o crime. Foram presos:

Maria das Graças Bentes dos Santos, 39 anos, a mãe biológica

Djnane Ferreira de Carvalho, 36 anos, a mulher que teria comprado o bebê

Joseilson Gonçalves de Frias, de 54 anos, O marido de Djnane e funcionário da Câmara Federal,

Leoniza Ferreira de Carvalho, 45 anos, taxista, e irmã da mãe biológica.

Eles estão presos em flagrante, e serão encaminhados para audiência de custódia. Todos foram enquadrados nos crimes de embaraço de documentação e tráfico de menores, além da famosa barriga de aluguel. 

Compartilhamentos