Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA

A Polícia Civil acredita estar perto de concluir as investigações sobre a morte do estudante de Direito Luan Lurrick Fonseca Ribeiro, de 19 anos. Ele foi morto quando saía do estacionamento do SuperFácil do Bairro Buritizal, Zona Sul de Macapá, no dia 3 de agosto.

Inicialmente as investigações apontavam para um latrocínio, mas agora a polícia acha que o estudante teria sido morto por engano, em suposta vingança entre traficantes. O assassino de Luan se apresentou à polícia

Segundo a investigação da Delegacia de Crimes Contra a Pessoa (Decipe), há indícios de que a morte de Luan teria sido motivada por causa da morte do traficante Renato dos Santos, mais conhecido como ‘Patinha’, ocorrido em julho deste ano.

Luan Lurrick. Fotos: Reprodução/Facebook

Estudante Luan Lurrick foi morto logo após pagar boleto da mensalidade da faculdade de direito. Fotos: Reprodução/Facebook

Na versão que está sendo apurada pela polícia, ‘Patinha’ se desentendeu com outros dois criminosos, um de prenome Alex e outro chamado por ‘Bola de Fogo’, que o mataram após uma discussão sobre distribuição de drogas.

“O Alexandre foi encarregado de matar o Alex e o Bola de Fogo pela morte do Patinha. Quando ele foi procurar saber mais dos alvos, ele viu o Luan numa foto com essas pessoas. Além disso, o estudante também teria dado carona para eles. Ele [Alexandre] achava que o Luan fosse amigo dos dois e tivesse ajudado na morte do Patinha. Então, ele seguiu o Luan e o matou, assim como planejava fazer com os outros dois”, explicou o delegado Ernane Soares.

Luan Lurrick (3)

Luan cursava o quarto semestre de direito

Apesar da polícia ainda não ter as informações da arma utilizada no assassinato de Luan, e o veículo que teria sido usado na fuga, outras informações já foram levantadas. Uma delas é que Alexandre praticou o crime sozinho. Outra é que o Patinha era uma espécie de “moleque de recado” de outros traficantes maiores, que seriam ligados à facção do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

“O Patinha era moleque de recado de um dos braços do PCC aqui em Macapá. Ele também era traficante de drogas e já era tratado como suspeito de diversos roubos também. Ainda não sabemos se Alexandre quis vingar a sua morte por amizade ou pelo controle do tráfico”, acrescentou o delegado.

A primeira parte do inquérito sobre a morte de Luan já foi encaminhado ao Ministério Público. Um inquérito complementar também será destinado ao MP, falta apenas à confirmação se o crime cometido contra o Luan seria mesmo a vingança pela morte do Patinha.

“Ainda vamos apurar mais informações e esperar o inquérito da morte do Patinha ser concluído, para termos certeza que o crime de um tem envolvimento direto com o do estudante. Mas pelo que parece, a morte do estudante foi por engano”, frisou o delegado.

Acusado confessa crime

O homem que matou o estudante Luan é Alexandre Matos Silva Santos. Ele se apresentou na manhã da última quarta-feira, 24, na Delegacia de Polícia do bairro Nova Esperança, na Zona Sul. Ele confessou ter matado o estudante porque “Luan teria dado carona para o homem que matou o Patinha”.

Universitário ainda tentou fugir do assassino dando marcha ré. Foto: Olho de Boto

Universitário ainda tentou fugir do assassino dando marcha ré. Foto: Olho de Boto

Como a polícia já suspeitava de Alexandre, ele foi indiciado por homicídio qualificado. Mas deve responder em liberdade, já que o juiz não decretou prisão preventiva ao entender que os elementos não são suficientes para incriminá-lo.

Advogado criminalista

Luan Lurrick foi morto com um tiro no peito. Ele havia acabado de pagar a mensalidade da faculdade quando foi surpreendido pelo criminoso. De acordo com testemunhas, o estudante ainda teria tentado sair de ré com o carro, mas não resistiu e morreu no local antes da chegada da emergência.

Faltavam três anos para o estudante do quarto semestre da Faculdade Estácio ser bacharel em Direito e depois seguir na advocacia criminal.

Amigos no velório na casa onde o estudante morava com a mãe e os irmãos. Fotos: Cássia Lima

Amigos no velório na casa onde o estudante morava com a mãe e os irmãos. Fotos: Cássia Lima

“Ele dizia pra todo mundo que queria ser advogado criminalista. Era cheio de sonhos e morreu por engano. Ninguém vai saber como isso dói e nada, nem a justiça ou a condenação do acusado, vão trazer ele de volta”, disse uma irmã de Luan que não quis se identificar.

Luan era famoso entre os amigos por ser brincalhão, amoroso e atencioso. Ele era filho de pais separados e tinha mais quatro irmãos. Entre uma prova e outra da faculdade, ele ainda fazia um curso de conciliação ofertado pelo Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), e dividia o tempo entre duas paixões: a dança no grupo junino Raízes Culturais e o samba, na Escola de Samba Piratas Estilizados.

Compartilhamentos