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JÚLIO MIRAGAIA

A capela do Hospital São Camilo foi palco de uma inesquecível declaração de amor não apenas entre os noivos, mas também de neta para avô. No último sábado, dia 6, a professora de educação física, Juliana Mayra, casou-se com o empresário Ricardo Cabral, numa rápida cerimônia de 15 minutos. O motivo para a celebração do matrimônio dentro de uma unidade hospitalar é que seu avô e pai de criação, Antônio Silva Pereira, passa por uma série de complicações em seu estado de saúde.

Pereira tem um problema cardíaco irreversível e uma bactéria que o debilita de sua locomoção. A emoção tomou conta de toda a equipe médica do hospital que prestava plantão na data do casamento e dos 40 convidados presentes na celebração.

Casamento

Montagem mostra os noivos Mayra e Ricardo e momento da entrada na capela com o avô. Foto: Reprodução/Facebook

Mayra conta que todos os procedimentos para a realização da cerimônia tiveram que ser às pressas.

“O vestido e a roupa do noivo foram alugados e organizamos o casamento em apenas 8 dias”, revela a noiva.

Conduzir Juliana até o altar era um sonho antigo de Antônio Pereira que tinha uma bela história de amor com a neta. A mãe se separou do marido ainda durante a gravidez e Juliana era uma criança com dificuldades para interagir. Foi o convívio com o avô que a fez começar a mudar positivamente.

Mayra e o avô

Mayra ao lado do avô

“Passei a sorrir, pegar no rostinho dele, passava vinte e quatro horas com ele e temos uma história muito bonita”, fala Mayra emocionada.  

Ela diz ainda que o avô falava sempre que não queria morrer antes de levar ela ao altar.

A infecção, o problema cardíaco e o aniversário no São Camilo

A professora de educação física conta que o drama do avô começou com uma infecção.

“Ele usava uma prótese que ligava o fêmur à bacia, e nessa prótese surgiu uma bactéria muito resistente, mas a bactéria sempre volta e fica localizada no quadril, então foi retirada a prótese”, explica.

Antônio usava a prótese há 20 anos, dos dois lados, e foi do lado esquerdo no qual apareceu a enfermidade. Nos últimos três anos, o idoso teve que passar a tomar antibióticos diariamente. A neta conta que Antônio sente muita dor na perna, motivo da última internação.

“Ele estava havia muitos meses tomando antibiótico e já não tinha um rim saudável e isso atingiu os rins e foi o enfraquecendo, até porque ele tem 87 anos”, esclarece a professora.

Ela também conta que foi feita a festa de aniversário do avô também no São Camilo, no mês de julho, com toda a família presente.

Família reunida na comemoração do aniversário de

Nas imagens acima, a família reunida na comemoração do aniversário de Antônio e Mayra ao lado do avô

“Falamos com a assistente social, fomos com o padre e foi muito bonito, mas foi rápido por que não podia ficar muita gente lá dentro”, explica.

O quadro de saúde de Antônio, porém, vem piorando, segundo a neta. Ele teve um edema pulmonar que virou pneumonia, e se agravou com uma cardiopatia grave que o idoso sempre teve. Juliana conta que ele já não conseguia respirar e teve que passar a usar aparelhos de oxigênio.

“O médico foi muito sincero com a família e pediu para que a gente fosse se preparando, então o vovô resistiu, saiu da UTI, só que pelo quadro dele, os rins só funcionam 50% e os outros 50% já estão comprometidos. Ele tem cardiopatia grave e o coração dele pode parar a qualquer momento”.

No dia do casamento: emoção e a realização de um sonho

A apreensão tomou conta da família momentos antes da cerimônia, pelo estado debilitado do patriarca. A médica explicou para os familiares que não há mais o que fazer pelo coração de Antônio. Seu coração pode durar dias, horas ou meses.

A neta conta que o avô está lúcido, fala normalmente, contudo, desde a última internação passou a não andar.

Mayra e

Mayra e Ricardo tiveram 8 dias para organizar o casamento

“Vovô está precisando de cuidados de enfermeiros, tem uma equipe que cuida dele, porque ele é pesado e precisa de oxigênio, não toda parte do tempo, mas como o coração dele está grande, sempre quando se mexe ou faz qualquer coisa que força mais um pouco, ele sente falta de ar”, explica Mayra.

A noiva termina seu relato lembrando da felicidade que tomou conta do hospital e dos momentos antes da confirmação do matrimônio em que conversava com o avô, feliz com a realização de um sonho.

“Ele me disse que ficou muito emocionado, pois estava com medo de que não iria estar vivo, mas resistiu e estava muito emocionado”, conta feliz a jovem de 25 anos que por 15 minutos parou um hospital para celebrar o amor e prestar uma última homenagem para o homem que a fez sorrir e interagir com o mundo.

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