Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA

Que é péssima a distribuição de água encanada em Macapá isso não é novidade para ninguém. Mas muitos moradores estão indignados com o descaso com a obra da Estação de Tratamento da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), localizada na Rua Jovino Dinoá, no Bairro do Trem. A obra, que é do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), está parada desde 2013 e a falta de água continua constante.

O autônomo Airton Dias, de 46 anos, vende lanches no bairro há 10 anos. Ele passa diariamente em frente à obra e conta que há anos não vê um único trabalhador no local. Ele revela também que na sua casa, no Bairro Congós, a falta de água é constante.

Airton Dias

Airton Dias, morador: “pagamos a conta, mas não temos a água”. Fotos: Cássia Lima

“Não é só aqui que falta água, em vários bairros também. Pagamos a conta, mas não temos a água. Lembro que quando a obra começou eu vim vender lanche aqui. Tinha esperança que melhoraria, mas nada disso aconteceu. Está tudo abandonado”, disse o autônomo.

De fato, o que antes era um canteiro de obras está em pleno abandono. O muro do local está quebrado e moradores dizem que pessoas invadem a área para beber e usar drogas. A vala que comportaria a nova estação está com água parada e até o outdoor com informações da obra já se deteriorou.

Muro da obra está quebrado

O muro da obra está quebrado, facilitando o acesso de pessoas ao local

A obra inaugurada em 2011 com recursos do PAC tem investimento inicial de R$ 28 milhões. O projeto previa a construção de quatro reservatórios de 5 milhões de litros cada, além da duplicação do módulo da Estação de Tratamento de Água (ETA).  O objetivo da obra era atender a população com 1.700 litros de água por segundo, melhorando a distribuição na Zona Sul de Macapá.

A paralisação prejudicou a população, em especial os 685 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Amapá, que fica bem em frente à obra, no Bairro do Trem. Se a obra tivesse sido finalizada, a escola receberia água tratada e constante, mas a realidade é bem diferente.

Mauro Borges, diretor escolar: "

Mauro Borges, diretor escolar: “falta água pelo menos uma vez na semana”

“Falta água pelo menos uma vez na semana. O que é mais absurdo é que nossa escola fica bem em frente a um posto da Caesa. Além de faltar, acontece muito de a água cair barrenta e muito suja. Quando falta água temos que liberar os alunos mais cedo porque não tem como ficar na escola sem água”, reclamou o diretor da escola, Mauro Borges.

Quando os alunos não são liberados, a direção da escola faz o horário corrido de aula, até as 10h, já que não tem água para beber, fazer comida, limpar os banheiros dos alunos. Alguns professores chegam a repor aulas.

OUTDOOR SE DETERIOROU EM MEIO A ÁGUA PARADA

Outdoor se deteriorou em meio à água parada

De acordo com a direção técnica da Caesa, a obra da Estação de Tratamento sofreu várias paralisações em decorrência de reajustes no projeto e a uma inadimplência da empresa ABO Sanento, que venceu a licitação da obra.  Mas uma licitação iniciada neste mês promete dar seguimento aos trabalhos na Estação e o reservatório de 10 mil metros cúbicos no Bairro Jardim Felicidade.

João Batista Gomes, diretor técnico da Caesa: "

João Batista Gomes, diretor técnico da Caesa: “previsão é de 18 meses para a conclusão da obra”

“Não tomamos providência só agora, esse é um processo longo. Já houveram tentativas lá no passado, mas que só foram concluídas agora. Estamos na parte dois do projeto que abrange a licitação. A previsão é de 18 meses para a conclusão da obra”, disse o diretor técnico da Caesa, João Batista Gomes.

Vegetação cresce no local

Vegetação cresce no local

Apesar da licitação em andamento, o diretor não soube estipular um prazo para o fim do certame e retomada da obra, que continua parada e servindo de local para usuários de drogas.

“Faz tanto tempo que essa obra parou que já nem temos esperanças. Parece que esse abandono sempre esteve ai e a falta de água nunca será resolvido. Dá uma tristeza falar assim, mas é a verdade”, disse Regina Gomes, moradora do bairro.

Compartilhamentos