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JÚLIO MIRAGAIA

A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária (Diagro) definiu pela deflagração da fiscalização permanente do transporte de carne animal nas rodovias do Estado a partir da próxima segunda-feira, 5. O objetivo é combater a clandestinidade de carne que vem se intensificando na região do Araguari. mais especificamente nos municípios de Amapá e Pracúuba.

Uma reunião ocorrida na tarde desta segunda-feira, 29, no Complexo Cidadão do Ministério Público do Estado do Amapá, apontou uma série de ações coordenadas entre Mapa, Diagro, Vigilância Sanitária e Associação dos Criadores do Amapá (Acriap), para combater a prática.

Pecuaristas, Diagro e MP discutem o assunto. Fotos: Júlio Miragaia

Pecuaristas, Diagro e MP discutem o assunto. Fotos: Júlio Miragaia

O encontro teve como objetivo apurar as ocorrências de roubos constantes de gado e a comercialização de carne em matadouros clandestinos nos municípios.

Prejuízo de R$ 3 milhões mensais

O presidente da Acriap, Jesus Pontes, revelou que há um prejuízo mensal de aproximadamente 1.5 mil cabeças de boi. Mais de 200 fazendeiros na região compartilham das perdas com as ações criminosas.

Jesus Pontes, Acriap

Jesus Pontes, presidente da Acriap, cobra mais empenho por parte das autoridades para solucionar problemas em Amapá e Pracuúba

“Perdemos na ordem de R$ 3 milhões por mês com a ação clandestina”, destacou o produtor.

Pontes também comentou que no Araguari existem relatos de mais de 20 anos dessa atividade, mas que agora a situação pirou muito.

“Hoje nós temos trabalhado junto com a Polícia Civil, a Polícia Militar, a Promotoria de Justiça e os juízes, cobrando a efetividade do trabalho nas regiões, e agora também com a Diagro”, argumentou.

O presidente da Acriap contou ainda sobre como funciona o processo da atividade ilegal.

Carne de gado roubado apreendida no dia 21 de abril. Foto: Arquivo

Carne de gado roubado apreendida no dia 21 de abril. Foto: Arquivo

“Normalmente, do lado das fazendas mesmo, quem rouba a carne compra 60 metros de frente, num terreno comprido, e aí ele invade nossas propriedades, geralmente durante a noite arrebanha nosso gado pra dentro do terreno e o prende no curral. Depois, remarca, borra a marca original com outro ferro, espera curar e vende pra um receptador maior” explicou.

Indignado, Jesus comenta que há casos de pessoas que estão no terceiro indiciamento com mandado de prisão e não são presos.

“Eu tenho certeza que se fizermos um trabalho em cima dessas pessoas, que todo mundo sabe quem são, junto não só com a polícia, mas com uma investigação dentro da Secretaria de Fazenda, pra avaliar a evolução do patrimônio dessa pessoa, vai pegar muita coisa”, disse Pontes, que faz parte da segunda geração de pecuaristas do Amapá

MP propõe reuniões com prefeituras

A promotora de Justiça, Neuza Barbosa, que acompanha o caso, disse que a retirada do couro do gado clandestino está sendo feita até mesmo dentro de canoas em Pracúuba e que a população está consumindo uma carne inapropriada.

Promotora de Justiça

Neuza Barbosa, promotora de Justiça: “vamos fazer frente para uma próxima reunião”

“Hoje o encaminhamento será conversar com as prefeituras de Amapá e Pracúuba para que elas posam tomar decisões em relação ao matadouro. Para que esse gado de Pracúuba seja, possivelmente, encaminhado para o matadouro de Amapá”, explicou a promotora.

“Também vamos fazer frente para uma próxima reunião com os demais promotores de justiça dos outros interiores onde também estão ocorrendo os furtos desses animais”, prosseguiu.

Neuza concluiu informando que o Ministério Público já realiza a investigação cível dos roubos.

“Estamos investigando essa questão do roubo do gado e também estamos solicitando maiores providências da Diagro para fiscalizar essa carne que é consumida”, finalizou.

Operativo da Diagro

O titular da Diagro, José Renato Ribeiro, informou que a agência irá afunilar as ações em relação ao trânsito de animais.

presidente da Diagro

José Renato Ribeiro, presidente da Diagro: “fiscalização não estava sendo exercida de maneira satisfatória”

“É preciso acompanhar a produção do pasto ao prato. O objetivo da Diagro é fazer a defesa sanitária animal e a defesa alimentar da população, além de dar segurança ao produtor, que paga imposto e gera divisa social”, justificou.

Ribeiro, que é médico veterinário por formação, disse ainda que o operativo irá iniciar na segunda-feira com inspeção de 24 horas pelos fiscais da Diagro.

“Quando os criadores fazem o trânsito dos animais tem que pegar, no escritório da Diagro no interior, um documento para a carga animal. Quem não tem essa guia, é ilegal”, explicou.

“Essa fiscalização não estava sendo exercida de uma maneira satisfatória, mas a Diagro agora, a partir dessa semana, já vai colocar no km 9, postos de fiscalização para que toda essa carne que venha dos interiores para Macapá para o consumo seja controlada”, concluiu o gestor.

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