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EWERTON GOMES, DO ROTOR GEEK

Mr. Robot é uma série que tem no seu DNA a tecnologia. Existe todo um cuidado para que a série seja bastante lógica ao tratar de hackers, códigos, computadores e internet. É um verdadeiro paraíso para os mais familiarizados com esse universo. Mas claro que não é só isso.

Uma coisa que torna Mr. Robot uma série única é o que Sam Esmail vem fazendo além dos créditos.  Seus episódios possuem realidade aumentada, sátiras com outros formatos de séries, easter eggs espalhados por todo canto e também leva para a realidade elementos da série, como o diário de Elliot que irá se tornar um livro. Assim como os fãs de LOST fizeram anos atrás, Mr. Robot também convida o espectador a fazer parte de algo maior.

Mr. Robot é um drama de primeira, que conversa diretamente com nosso mundo contemporâneo. Consumo, publicidade, prisões, luto, rotina. A série passeia por uma gama de temas que impacta seu espectador indiferente ao seu estilo de vida. Seja você um programador, seja você um escritor. Não importa.

Mr. Robot nos apresenta a Elliot Alderson (Rami Malek), um engenheiro de segurança da informação que trabalha como uma espécie de “hacker do bem” nas horas vagas e que está investido de todas as características de um anti-herói.

De fato, sabemos que existe algo meio off em Elliot já na sua primeira aparição, sendo perseguido por estranhos homens de terno em enquadramentos de câmera pouco usuais. Pela narrativa não linear adotada, descobrimos que nós – espectadores – somos uma espécie de “amigo imaginário” do perturbado técnico, em alguns casos funcionando subjetivamente como o narrador auxiliar desta intrincada história e em outros como testemunha ocular dos outros ramos da história.

Também é no primeiro episódio que conhecemos a enigmática figura que dá título à série, Mr. Robot. Daí já surgem os indícios de que eles estão, de fato, emulando a dinâmica que ficou registrada em Fight Club, já que o alter ego de Elliot é também o idealizador de um plano em escala mundial para invadir o sistema financeiro e “zerar” os débitos e créditos em que se fundamenta a sociedade moderna.

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É aí, especificamente, que Mr. Robot se sobressai, ao fazer duras críticas ao capitalismo exacerbado de grandes corporações. Não é à toa, aliás, que a maior delas ganha a alcunha de “Evil Corp” na cabeça de Elliot, mas assim é retratada por toda a temporada, já que estamos vendo aquele mundo sob o olhar dele.

Mesmo incorporando tudo isso, a série consegue criar um produto único e diferenciado, seja pelo viés excessivamente técnico e pragmático dos hackers, seja pelos elementos subjetivos que fazem, aqui e ali, com que os episódios brinquem com a realidade, a passagem de tempo etc.

Mr. Robot ainda é povoada por figuras igualmente interessantes como Tyrell Wellick (Martin Wallström), Angela Moss (Portia Doubleday), o próprio Mr. Robot (Christian Slater) e o enigmático Whiterose (B.D. Wong), que ajudam a imprimir na série um constante senso de imprevisibilidade e surpresa a cada bloco.

Irretocável em seus aspectos técnicos – da direção de fotografia à trilha sonora – Mr. Robot é definitivamente uma produção que merece os holofotes e que se destaca por jamais subjugar a inteligência de seu espectador.

Coragem e experimentalismo é o que estamos vendo em Mr. Robot. Sam Esmail é o showrunner mais disposto a fazer televisão na atualidade, é o cara que ousa, faz o que ninguém quer fazer, desafia o espectador, o convida pra assistir uma obra que vai além do plot principal. É qualidade.

No Brasil, a série é exibida pelo canal Space. E já foi renovada para sua terceira temporada. Já assistiu Mr Robot?

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