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SELES NAFES

Um homem acusado de roubos e furtos no município de Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, foi morto com um tiro de espingarda no rosto no último domingo, 23. Ele teria furtado um caseiro que dias antes lhe deu trabalho e abrigo. O “hóspede” ainda teria tentado matá-lo com uma faca. A Polícia Civil investiga a tese de legítima defesa.

Segundo levantamento feito pela Polícia Civil, Francisco Viana estava jurado de morte no Bairro Infraero, em Oiapoque, em função dos inúmeros crimes que era acusado pela população.

Na última sexta-feira, 21, a família dele o colocou num transporte pirata para Macapá, mas, depois de alguns minutos de viagem, ele resolveu desembarcar do veículo em um ramal agrícola ainda nos arredores de Oiapoque.

Casa onde o caseiro e o "hóspede" dormiram por duas noites. Fotos: PC/Divulgação

Casa onde o caseiro e o “hóspede” dormiram por duas noites. Fotos: PC/Divulgação

Ele caminhou alguns quilômetros até chegar numa propriedade onde o caseiro Raimundo Nonato Gomes, conhecido na região como “Louro”, escavava um poço. Francisco Viana se aproximou e teria se oferecido para ajudar em troca de pagamento, e a proposta foi aceita.

No fim do dia, Francisco Viana pediu abrigo na casa de Louro, afirmando que não tinha onde dormir. O caseiro consentiu.

“O acusado relatou que à noite eles estavam conversando, quando o Francisco Viana perguntou se tinha alguma arma em casa. O senhor Raimundo Nonato respondeu que tinha uma espingarda calibre 20”, explicou o delegado Charles Correa.

Francisco Viana estava sentado num galpão de madeira em construção, e estaria usando uma faca

Francisco Viana estava sentado num galpão de madeira em construção, e estaria usando uma faca

Polícia informou que a faca está sendo periciada

Polícia informou que a faca está sendo periciada

Pela manhã, ainda segundo depoimento do acusado, os dois acordaram e foram trabalhar em uma casa. Depois do trabalho, por volta das 19h, o caseiro disse que sentiu falta da arma e de pouco mais de R$ 600, e deduziu que Francisco Viana havia lhe furtado.

No domingo, 22, por volta de 11h30min, Raimundo Nonato encontrou com o “hóspede” sentado em um galpão de madeira em construção num terreno próximo. Francisco Viana tinha uma faca, e Raimundo Nonato já estava com outra espingarda, calibre 12.

Raimundo Nonato disse em depoimento que ordenou que Francisco Viana fosse embora por causa do furto. Ele não teria obedecido, e ainda teria avançado em direção ao caseiro que abriu fogo.

Da camisa azul, o caseiro dá sua versão

Da camisa azul, o caseiro dá sua versão durante reconstituição dos fatos

O primeiro tiro, a média distância, acertou o ombro direito, e Francisco Viana caiu. O caseiro recarregou, e deu o último tiro, desta vez no rosto, abrindo um buraco em sua face. A morte, claro, foi instantânea. Raimundo Nonato alegou que atirou pela segunda vez porque Francisco Viana ainda ameaçava reagir.

Por volta das 15h, a polícia foi informada por moradores sobre o crime. A Politec periciou o local e removeu o corpo, e as investigações iniciaram imediatamente.

Os policiais ficaram sabendo sobre o caseiro, mas ele estava escondido no mato. Na segunda-feira, 23,  a equipe voltou ao local para tentar localizar o acusado e encontraram um táxi chamado para transportar um passageiro.

O caseiro irá responder ao inquérito em liberdade, mas, apesar do cenário, legítima defesa ainda não foi confirmada

O caseiro conversa com o delegado Charles Correa e o agente Pascoal: apesar do cenário, legítima defesa ainda não foi confirmada

Os policiais desconfiaram que o passageiro seria Raimundo Nonato, e retornaram ao local do crime. Foi quando o acusado acabou saindo do mato e se apresentou à equipe. Já na delegacia, ele alegou legítima defesa e contou sua versão.

“Voltamos ao terreno e fizemos uma reconstituição dos fatos. Me pareceu coerente. Encontramos um cartucho à média distância do corpo, e a vítima estava com uma faca que está sendo periciada. O cenário é de legítima defesa, mas vamos continuar investigando para ver se essa tese de confirma”, concluiu o delegado.

Raimundo Nonato Gomes não foi preso. Ele responderá ao inquérito em liberdade.

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