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GESIEL OLIVEIRA

Fico lembrando como era bom viver naquela Macapá. Quem viveu aquela época não se esquece de tão bom tempo.

Não tínhamos tanto luxo e esse exagero de cuidado de hoje. No nosso fusca velho, meu pai (de saudosa lembrança e que era fotógrafo) levava seus 6 filhos e esposa apertadinhos. 

Não existia cinto de segurança, nem mesmo encosto para cabeça e “air bag”. Nossa diversão de fim de semana era sair em busca de um balneário.  Levávamos comidas guardadinha, sem a excessiva preocupação de infecções bacterianas.

gesiel-1Vivíamos dificuldades financeiras, mas no meu mundo de criança tudo era uma beleza. Na beira do rio aprendi a nadar no sufoco, tipo “te vira” e sai nadando pra beira. Nada de flutuadores, pranchinhas nem boias modernas.

Quando algum irmão meu não sentia fome, minha mãe lhe dava o “biotônico Fontoura”. Brincávamos e vez por outra um amigo saía chorando, mas não se falava em “Bullyng”.

No outro dia estávamos todos juntos brincando novamente. Não tínhamos brinquedos eletrônicos modernos e com controle remoto. 

gesiel-2Quando não podia comprar um carrinho, fazia um com uma lata de leite em pó e piçarra dentro puxado por uma cordinha, era barulhento, mas muito divertido. Nossa diversão no fim da tarde, era os “carrinhos de rolimã”. 

Descíamos em alta velocidade a ladeira e o freio era a nossa própria chuteira preta “chulipa” amarada em nossa perna com seu “cadarço” no estilo “sandálias de soldados romanos”.
Quando chovia era aquela alegria, correria e brincadeira debaixo da calha. 

No nosso mundo não existiam bactérias e fungos, compartilhávamos o mesmo “chope” (suco congelado no saquinho) comprado lá na esquina na casa da Dona Maria. E quando batia sede, corríamos para beber água do filtro de barro da casa da vovó.

Nossas casas não tinham muros altos, cercas elétricas e alarmes, e dormíamos muitas vezes com a porta dos fundos aberta, e com as sandálias para o lado de fora da casa. Vez por outra se ouvia falar em um ladrão de galinha aqui ou ali.

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Não existia “Surround Sound 5.1 Douby” e a alegria era grande quando meu pai colocava um vinil naquela radiola velha. Nada de X-box 360, Play Station III, iPhone ou S-III, Notebook ou internet
Tínhamos o pique-esconde, tacobol, bandeirinha, amarelinha e “peteca”(bolinha de gude).

E vez por outra um menino lascava a ponta do dedo no asfalto, no nosso futebol de rua.  
E quando terminava o futebol, íamos lá na esquina comprar um “Taí” e todos bebíamos juntos.

Não nós divertíamos parados em frente a um vídeo game, e sim suados na brincadeira sadia;
Nossa única condição era voltar para casa ao anoitecer. Nosso mundo não existia celular, smartphone ou whatsapp. 

Não existia Facebook e Twitter e nossas amizades eram verdadeiras e reais e não virtuais. Todas as meninas tinham seu diário, e um sinal de que ela havia gostado de você. Era quando ela entregava o seu diário para você assinar.

Não existia internet e tudo o que acontecia era espalhado por aquela vizinha fofoqueira. Tínhamos medo daquele senhor velhinho que passava no fim do dia, com uma vara na mão, e que diziam que levava as crianças naquele saco velho que carregava nas costas.

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Sempre que nossas mães se chateavam conosco, ameaçavam de chamá-lo, e era aquele desespero, e rapidinho pedíamos perdão por tudo. 

Lembro-me de cada detalhe, dos amigos e das brincadeiras. Fechei meus olhos, lembrei, sorri, lagrimei. Abri meus olhos e voltei à realidade. A irretroatividade temporal nos limita ao presente, por isso faça o seu melhor, ame, brinque, divirta-se, seja feliz.

Valorize cada momento no tempo certo para que a vida não te obrigue a valorizar no tempo errado. Dessa vida nada levamos, apenas deixamos, por isso deixe uma boa impressão e boas lembranças.

Em minhas memórias ainda vejo e ouço aquela alegria. Toda aquela felicidade, daquele tempo, continuará existindo só em minha memória. 

Aqueles momentos estão eternizados na minha saudade

E continuarão a existir em mim.

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