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CÁSSIA LIMA

“Suicídio versus depressão – O silêncio que mata”, foi o tema da audiência pública que lotou as galerias da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) na manhã desta quinta-feira, 20. Os interessados buscavam encaminhamentos para a quinta maior causa de morte no estado.

Médico Fernando Fernandes. No Brasil, não há políticas públicas e poucas pessoas estão capacitadas para ajudar alguém com tendência suicida ou depressão. Fotos: Cássia Lima

Diversos profissionais, estudantes, policiais e convidados comparecem na casa de leis para a palestra do médico psiquiatra, Fernando Fernandes, um dos maiores estudiosos do assunto no Brasil. Ele, que é pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, alega que a população e o governo não dão importância ao tema.

“É difícil ajudar alguém com depressão ou tendência suicida. Na maioria das vezes, a pessoa só quer ser ouvida e amada. Existem vários fatores para os dois problemas. Mas os principais são: histórico familiar, dor crônica, desesperança, desemprego, abuso de álcool ou outras substâncias, transtornos psiquiátricos e tentativas suicidas”, explicou o psiquiatra.

Mesa de abertura da audiência

Mesa de abertura da audiência

Para Fernandes, o problema é bem mais profundo e delicado. A afirmação se deve a uma pesquisa feita na cidade de Campinas, (SP), em 2012. Ela revela que a cada 100 habitantes da cidade 17 já pensaram em suicídio em algum momento da vida. Desses 17, pelo menos 5 já arquitetaram um plano para se matar. Dos cinco, 3 já tentaram de fato e apenas 1 foi atendido no pronto-socorro com sintomas que podem ser de suicidas como cortes no corpo, problemas no estômago, entre outros.

Deputada Marília Góes

Deputada Marília Góes, coordenadora da audiência. Objetivo é garantir projetos de leis para o combate e prevenção tanto da depressão como do suicídio 

“Você percebe como o que chega ao Sistema Público de Saúde (SUS) é apenas a ponta do iceberg. No Brasil, não temos políticas públicas e poucas pessoas estão capacitadas para ajudar alguém com tendência suicida ou depressão. Isso não é normal e nem pode ser banalizado. Estamos falando de vidas”, frisou o palestrante.

Além do psiquiatra, contribuíram também na audiência profissionais do Conselho Regional de Psicologia, membros do Centro de Valorização da Vida (CVV), assistentes sociais, policiais e professores da Universidade Federal do Amapá.

Galerias da Alap ficaram lotadas

Galerias da Alap ficaram lotadas

“Esse é um tema polemico porque envolve morte e o papel que cada pessoa pode fazer para evitar o suicídio de um amigo, primo ou irmão. A gente fala da depressão, mas quase nunca fala do suicídio. Existem muitos desafios porque a sociedade tem dificuldade de falar aos jovens sobre o assunto”, acredita a psicóloga, Letícia Prazeres.

Para a deputada estadual Marília Góes (PDT), que coordenou a audiência, o objetivo do debate é pautar o assunto e esclarecer os problemas que levam a depressão e ao suicídio.

“A intenção é levar esse debate para audiências em outros municípios. E que isso traga subsídios suficientes para garantir projetos de leis para o combate e prevenção tanto da depressão como do suicídio. Queremos que isso suscite uma discussão ampla. A lei brasileira ainda é muito frágil e precisa ser mudada”, disse a parlamentar.

Psicóloga Letícia Prazeres

Psicóloga Letícia Prazeres. A sociedade tem dificuldade de falar aos jovens sobre o assunto

Estatísticas

O Amapá é o 8º estado brasileiro onde há um alto registro de suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. O dado é do estudo feito pelo Banco de Dados do Sistema Único de Saúde e Sistema de Informação Estatística da Organização Mundial da Saúde, divulgado em junho.

As estatísticas apontam que em 2015 foram 28 suicídios, 16 somente na capital. Em 2016, já foram registrados mais de 14 suicídios. Os métodos utilizados são enforcamento e envenenamento.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) determinou em 2015 recomendações de combate a depressão e suicídio. O Amapá está entre os Estados que buscam elaborar políticas de prevenção ao suicídio.

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Amapá é o 8º estado brasileiro onde há um alto registro de suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes

Centro de Valorização da Vida

No Amapá, Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza um trabalho fundamental na valorização da vida e prevenção do suicídio por meio de palestras, encontros e atendimento por telefone.

Há 47 anos, uma entidade se dedica ao combate deste mal. A Organização Não Governamental (ONG) existe no estado há 14 anos e trabalha com voluntários no atendimento telefônico e presencial.

Estatística do comportamento suicida

Estatística do comportamento suicida

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