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SELES NAFES

É claro que em política tudo pode acontecer, mas já é praticamente certa, e até natural, a aliança entre a ex-candidata Aline Gurgel (PRB) e Gilvam Borges (PMDB), assim como o Promotor Moisés (PEN) deverá seguir com Clécio Luis (REDE) no 2º turno da eleição para prefeito de Macapá. Publicamente, Aline e Promotor dizem que ainda não decidiram, mas os perfis ideológicos de cada um, os conchavos e o próprio contexto político não deixam alternativas. Eles já definiram os apoios.

Aline obteve 25.365 votos, 11,89% do total apurado, enquanto o Promotor Moisés, com apenas 18 segundos de televisão, conseguiu a proeza de amealhar 15.271 votos, 7,16%.

Nessa etapa da campanha, a definição de apoios depende de vários fatores, entre eles a afinidade política entre os candidatos, conflitos no 1º turno, capacidade de transferência de votos, correntes ideológicas e, especialmente, em que grupos políticos os candidatos estão inseridos.

Aline pertence à família Gurgel, que tem seu espaço no governo Waldez Góes (PDT) conquistado pela articulação do deputado federal Vinícius Gurgel (PR-AP). Apesar disso, Aline mostrou certa independência ao se lançar na disputa para enfrentar Gilvam Borges, o candidato apoiado pelo governo.

Aline no dia da votação: conversando com lideranças para definir destino conjunto

Aline no dia da votação: conversando com lideranças para definir destino conjunto. Fotos: Cássia Lima

“Eu poderia ter apoiado o Gilvam, mas o nosso partido não estava concordando com a maneira de governar, e por isso decidimos ter nossa própria candidatura”, justifica, ela.

Apesar dos 11% terem ficado bem abaixo do que apontavam as últimas pesquisas, Aline saiu fortalecida do pleito por dois motivos: visibilidade e a criação de um novo grupo político. Na última segunda-feira, 3, um dia depois da eleição, Clécio foi pessoalmente à residência de Aline atrás desses ingredientes.

Com mais de 15 mil votos, Promotor Moisés recebeu apenas a visita Clécio

Com mais de 15 mil votos, Promotor Moisés recebeu apenas a visita Clécio. Foto: Ascom

“Estamos com o PTB, PSL, PP, e o apoio da Igreja Quadrangular com o pastor Guaracy Júnior. Ficamos de dar uma posição definitiva na sexta-feira (7), porque ainda estamos conversando com as lideranças. Formamos um grupo muito forte e vamos para o mesmo destino”, garantiu Aline, que já foi convidada pela direção nacional do PRB para disputar o Senado no ano que vem.

Gilvam Borges também foi à casa de Aline, e a conversa foi longa. Como este é o momento mais importante da transição para o segundo turno, a afinidade política deve falar mais alto. 

“Me sinto muito à vontade para escolher entre qualquer um dos dois. Eles estão no segundo turno por vontade da maioria da população”, pondera Aline.

O Promotor Moisés também está sendo bem cortejado. Contudo, recebeu apenas a visita de Clécio, o que já revela uma tendência. Do grupo de Gilvam Borges, ele recebeu apenas um telefonema de apoiadores, entre eles de Waldez Góes.  

“Até sexta-feira eu decido. Me ligaram de lá, o Waldez também, mas ainda não sentamos”, garantiu o Promotor Moisés.

Genival Cruz (PSTU), o quinto mais votado com 11.242 votos, diz que não conversa com nenhum dos candidatos, e tem pregado o voto nulo.

Já os apoios de Ruy Smith (PSB) e Dora Nascimento (PT), sexto e sétima, respectivamente, não deverão ser discutidos por várias razões. Clécio e Gilvam esperam que os votos que eles conquistaram migrem naturalmente para suas candidaturas.

Mas numa cidade onde a eleição já foi definida por 1,8 mil votos (Clécio contra Roberto Góes, em 2012), cada voto faz diferença. 

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