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ANDRÉ SILVA

O Conselho da Universidade Estadual do Amapá (Ueap) aprovou proposta de abertura de sindicância para investigar denúncia de que o reitor da instituição,  Perseu da Silva Aparício, teria beneficiado uma candidata com documentos falsos. A suposta declaração teria sido usada por ela no concurso público realizado pelo Instituto Federal do Amapá (Ifap) este ano.

A suspeita surgiu depois que o Ministério Público Federal (MPF) solicitou informações da candidata à universidade onde ela teria atuado. Luana Lima dos Santos teria alegado que tinha vínculo empregatício com a Ueap, atuando como professora do curso de engenharia florestal. O professor Driss Pena, que é do colegiado do curso, confirma a denúncia.

Reitor Perseu Aparício. Ele nega as acusações. Foto: arquivo

Reitor Perseu Aparício. Ele nega as acusações. Foto: arquivo

“Todos do colegiado disseram a mesma coisa que já eu sabia: que não existiu nenhuma professora chamada Luana no nosso curso, inclusive trabalhando nas disciplinas que foi especificada no concurso até porque nós temos professores nessas disciplinas, então não havia lógica nisso, contratar uma professora para disciplinas em que existem professores”, argumentou Driss Pena.

Após uma investigação realizada por ele, que reconheceu o nome da candidata, descobriu-se que ela havia sido aluna da instituição e ex-namorada do reitor. Além de Luana, outros ex-alunos da instituição foram classificados no concurso, só que em uma colocação inferior à dela.

Reitor teria feito declaração de estágio de docência. Atividade não existe na instituição. Foto: André Silva

Reitor teria feito declaração de estágio de docência. Atividade não existe na instituição. Foto: André Silva

Luana teria usado a documentação falsa para a prova de título, que era um dos critérios de desempate na processo. Driss Pena acredita que um desses alunos tenham denunciado o esquema.

O documento supostamente forjado tem uma assinatura que seria do reitor e um selo de autenticidade do cartório. Nele, há a informação de que a candidata teria participado de um estágio de docência na universidade durante 3 semestres.

Driss Pena disse que chegou a ligar para o reitor perguntando sobre a aluna e pedindo esclarecimentos sobre a documentação que ela apresentou, mostrando que ela foi professora da universidade.

Documento comprova que o estágio em docência não existe

Documento comprova que o estágio em docência não existe

“Eu perguntei se a Luana que o MPF fazia menção, era a mesma que havia sido aluna do curso. Ele confessou dizendo que era. Perguntei se ele havia feito algum documento para ela dizendo que ela era professora da universidade. Ele disse que tinha sido um equívoco e que, o que teria dado a ela foi um documento de estágio de docência na minha disciplina”, relatou o professor.

O docente relatou ainda que o reitor chegou a comentar que o atestado não contaria ponto para a classificação da candidata, fato que foi desmentido após análise nas normas do concurso feita por Driss Pena, que mostrou que o falso documento representou 6 pontos a mais na nota da candidata, o que possibilitou a ela o segundo lugar na categoria que disputava.

Com o documento, candidata ganhou mais 6 pontos na prova de títulos

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O site SELESNAFES.COM conseguiu entrar em contato com o reitor. Ele disse que não queria se pronunciar sobre o caso, mas adiantou que está tomando todas as providências judiciais para poder desqualificar as denúncias que, segundo ele, são ‘mentirosas’.

“Essa informação não procede. É uma tremenda de uma calúnia e vou provar isso”, adiantou o reitor.

Reitor pede que coordenação do curso esclareça a situação da aluna

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Um processo de sindicância no Conselho Universitário (Consu) instância máxima da universidade,  foi aprovado para apurar as denúncias contra o gestor. O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal.

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