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CÁSSIA LIMA

O taxista Wellington Braga Costa, de 36 anos, vive um drama pessoal desde o último dia 6. Uma foto dele sendo molestado por Marinéia Santana, conhecida como “Big-Big”, circula nas redes sociais. O fato ocorreu dentro do Hospital de Emergência de Macapá (HE).

Ninguém sabe ao certo quem fez o registro, mas a foto começou a ser divulgada no dia  6, pelo Whatsapp e Facebook. A imagem é clara, e mostra Big Big fazendo pose e apalpando as genitais do paciente, que estava desacordado numa maca do hospital.

O taxista prefere não mostrar o rosto. Indignação com falta de segurança no hospital. Fotos: Cássia Lima

O taxista prefere não mostrar o rosto. Indignação com falta de segurança no hospital. Fotos: Cássia Lima

Para as pessoas que compartilharam a imagem nas redes sociais, o caso parecia uma brincadeira, mas para Wellington Costa não teve graça nenhuma. O que a foto não mostrou é que ele estava hospitalizado no HE, inconsciente após levar uma facada nas costas.

Wellington Costa foi para a festa de um amigo no Bairro Perpétuo Socorro, na Zona Leste de Macapá, na noite de sábado para domingo. Lá, ele se envolveu numa briga por volta da 1h da manhã do domingo, levou algumas pauladas. A última coisa que lembra é de terem lhe dado um “mata leão”. Depois disso, ele ficou inconsciente.

“Eu já acordei domingo de noite no hospital e aí que fui tomar conhecimento da facada e também da foto. Meu irmão que me ligou e me disse. Quando cheguei em casa e olhei o Whatsapp e o face vi minha foto sendo compartilhada nas redes sociais por gente que achava eu tava brincando de bater foto com a Big-Big”, relatou o taxista.

Facada que o deixou inconsciente

Facada que o deixou inconsciente

Constrangimento e revolta com falta de segurança

Apesar do ferimento ter levado 7 pontos, o que mais marcou Wellington Costa foi a foto que até agora ninguém sabe quem tirou. Ele diz que a imagem o deixou constrangido e a revolta com a falta de segurança no hospital é inevitável.

“Você está num local que deveria ser bem guardado e atendido, mesmo porque eu estava inconsciente, mas alguém tirou aquela foto minha, daquela forma, incentivando ela a tocar nas minhas partes. Eu entendo que ela tem problemas, mas eu me sinto agredido e ainda mais desassistido pelo Estado”, destacou o taxista.

Colchão onde "Big Big" dorme no HE

Colchão onde “Big Big” dorme no HE

Ele relatou ao portal SELESNAFES.COM que, além do constrangimento, ele tem sido motivo de chacota na praça. O taxista recebeu apoio dos familiares e alguns amigos, mas as pessoas ainda compartilham a imagem dele nas redes.

Wellington Costa é taxista há 5 anos, solteiro, e tem dois filhos de 12 e 3 anos. Segundo ele, as medidas cabíveis já foram tomadas. Registrou boletim de ocorrência na delegacia pelo uso de sua imagem inconsciente e vai processar o Estado por danos.

“Vou entrar com uma ação contra o Estado porque no momento que estava inconsciente lá eu era responsabilidade do Estado. Isso mostra que o HE não tem controle nenhum por quem entra ou sai dali. Pode até ocorrer algo mais grave. Sem contar que deixam a Big-Big entrar em qualquer lugar. Lá circulam muitas doenças”.

Proibição

Na segunda-feira, 7, a direção do HE confirmou ao portal SELESNAFES.COM que Big Big tinha acesso livre ao hospital para poder usar o banheiro e beber água. Mas que, a partir daquela data, ela estaria proibida de entrar nas dependências da unidade. Uma ordem da direção foi expedida a todos os funcionários sobre a restrição.

Direção do HE proibiu entrada de Big Big após o caso. Ela entrava no hospital para beber água e usar o banheiro

Direção do HE proibiu entrada de Big Big após o caso. Ela entrava no hospital para beber água e usar o banheiro

Big-Big, pra quem não sabe, se chama Marinéia Santos Santana. Ela tem uma história marcada por dramas e agressões, a começar com uma tentativa de estupro aos 15 anos. Chegou a ser esfaqueada, perdeu o bebê e teve o relacionamento rompido com o noivo. Foi atropelada e teve uma pequena perda de massa encefálica.

Após estar recuperada, ela começou a sair de casa e demorar para retornar. Sempre que saía, levava objetos e a família descobriu que ela estava viciada em drogas. Mesmo sendo procurada pela família, ela decidiu morar nas ruas e atualmente dorme em um colchão na frente do Hospital de Emergências.

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