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SELES NAFES

A dissolução da sociedade no principal empreendimento comercial do estado foi parar nas barras da justiça. Dois grupos de sócios amapaenses estão movendo uma ação judicial contra o grupo controlador do Amapá Garden Shopping pedindo a devolução de todo o investimento feito nos últimos anos no empreendimento, acrescido de correção monetária e perdas. Seria uma bagatela da ordem de R$ 30 milhões.

O portal SELESNAFES.COM procurou a direção do Grupo Tenco na última quinta-feira, 10, informando o teor da reportagem. No dia seguinte, uma assessora de imprensa da corporação ligou informando que o grupo iria se pronunciar no último sábado, 12, mas isso não ocorreu.

O Grupo Tenco é dono de 50% do Amapá Garden Shopping, possui mais de 20 shoppings em todo o Brasil, e é controlada pelo grupo Pátria, um dos maiores administradores de fundos de previdência do país.

30 de julgo de 2013: prefeito Clécio Luis discursa na solenidade de inauguração observado pelos sócios do empreendimento. Foto: Edvaldo Chaves

30 de julgo de 2013: prefeito Clécio Luis discursa na solenidade de inauguração observado pelos sócios do empreendimento. Foto: Edvaldo Chaves

Praça de alimentação no dia da inauguração: apenas 20% das lojas funcionando

Praça de alimentação no dia da inauguração: apenas 20% das lojas funcionando

Em 2006, o Grupo Tenco manifestou interesse de abrir um shopping no Amapá, mas só em 2008 iniciou a elaboração do projeto. No ano seguinte, a ideia começava a sair do papel com o início dos licenciamentos.

A composição societária tem a Tenco com 50%, e o restante dividido entre grupos locais. O grupo Domestilar tem 20%, o Arcas (formado por acionistas do grupo Betral) possui mais 20%, e o Grupo Green ficou com 10%.

Apesar do enorme potencial econômico do projeto, não demorou para começar um desgaste na relação entre os grupos locais e a Tenco, que tocava as obras. O motivo: o projeto passou a ficar mais caro do que se previa. Os custos se elevaram, principalmente porque as obras demoraram mais do que constava no cronograma inicial.

Jaime Nunes: objetivo proposto não foi atingido. Fotos: Seles Nafes

Jaime Nunes: objetivo proposto não foi atingido. Fotos: Seles Nafes

Mesmo assim, os investidores amapaenses fizeram grandes aportes de recursos. O grupo Domestilar investiu cerca de R$ 8,6 milhões, enquanto o Arcas desembolsou mais de R$ 8,4 milhões. A Green Participações, composta por sócios da então Faculdade Seama, da empresária Daniele Scapin, entrou na sociedade com o terreno onde o empreendimento foi erguido.

Depois de R$ 115 milhões investidos (R$ 54 milhões são de linha de crédito), o shopping foi inaugurado no dia 30 de julho de 2013 com o projeto incompleto. Apenas 20% das lojas estavam funcionando.

Uma das franquias que se instalariam no Garden, mas nunca colocou os pés em terras tucujus, era a gigante mundial Walmart, dona de supermercados e lojas de departamentos espalhadas em quase todos os continentes.  

O portal SELESNAFES.COM conseguiu conversar com os dois principais sócios amapaenses do empreendimento, os empresários Otaciano Júnior (Arcas) e Jaime Nunes (Domestilar). Eles confirmaram que o projeto consumiu mais recursos do que o previsto, e garantem que não gerou retorno. 

“Houve a necessidade de captar mais recursos, e fizemos isso no FNO. Só que o empreendimento não conseguiu atingir o resultado que foi proposto inicialmente, tanto em relação à locação dos espaços como o retorno do investimento”, explica o presidente do Grupo Domestilar, Jaime Nunes.

Otaciano Júnior: prejuízo de espaços não utilizados é dos investidores

Otaciano Júnior: prejuízo de espaços não utilizados é dos investidores

Houve frustração financeira também com a quantidade de lojistas abaixo do esperado, como o caso da Walmart.

“Era o principal espaço do shopping. Separamos cinco mil metros quadrados para esse supermercado da Walmart, mas nunca se concretizou. Até hoje esse espaço está fechado pagando condomínio. E quem paga esse prejuízo é o investidor. Um shopping é um grande empreendimento imobiliário. Quando não há locação, quem paga o custo fixo é o investidor”, explica Otaciano Júnior. 

Assim como em outros shoppings, cada lojista paga um aluguel mínimo, e mais um percentual sobre as vendas. Quem recebe esses recursos é a gestora do shopping, a Tenco. Em mais de 3 anos de funcionamento, os sócios amapaenses dizem que nunca receberam um centavo de retorno do investimento.

Pelo contrário. Um balanço recente revelou prejuízo de mais de R$ 8 milhões na atividade do shopping nos últimos dois anos. 

Grupos Arcas e Domestilar: sem retorno do investimento, 3 anos depois da inauguração

Grupos Arcas e Domestilar: sem retorno do investimento, 3 anos depois da inauguração

Cansados da pressão dos outros acionistas por resultados, no mês passado a Domestilar e a Arcas decidiram sair da sociedade, mas fizeram uma exigência: queriam de volta o investimento com correção monetária, perdas e lucro cessante, o que somaria quase R$ 30 milhões. A Tenco concordou em devolver apenas os valores principais investidos.

Com o impasse, o caso foi parar na Justiça. O processo espera decisão na 6ª Vara Cível e de Fazenda Pública de Macapá.

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