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DA REDAÇÃO

A suposta cobrança de R$ 10 mil para a realização de uma cirurgia urológica que tinha cobertura do SUS levou dois médicos a serem denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF/AP) por corrupção passiva.

A ação envolve os médicos Pedro Paulo Dias Carvalho, ex-governador do Amapá, e Elpídio Dias Carvalho. De acordo com o MPF, Pedro Paulo cobrou, inicialmente, R$ 25 mil por uma cirurgia no ano de 2013, alegando que o valor custearia os honorários da equipe.

O paciente estava internado no Hospital São Camilo, na ala destinada a pacientes do SUS. 

“Não podem ser cobrados valores dos pacientes internados pelo SUS, pois os procedimentos são todos cobertos por este, sendo, portanto, indevidos os valores solicitados e recebidos pelos denunciados”, advertiu o procurador da República Everton Aguiar, que assina a denúncia.

Na denúncia ofertada à Justiça Federal, o MPF pede, além da condenação dos médicos, que seja fixado o valor mínimo de R$ 10 mil para reparar os danos causados pela infração.

Defesa

A versão, contada pela família do paciente, que veio a óbito 4 meses depois da cirurgia, é refutada por Pedro Paulo Dias.

O ex-governador e médico falou com o Portal SELESNAFES.COM e contou que a família contratou um médico de fora para realizar o procedimento cirúrgico e que ele tem toda a documentação que comprova a situação, como fotografias, exames e a própria declaração de imposto de renda do outro médico, que contém dados sobre o referido pagamento.

Segundo Pedro Paulo Dias, o paciente estava com um tumor renal em fase final, uma carcinomatose e, quando operado, foi retirado o rim com um tumor que pesava 2,8kg. Um rim pesa, normalmente 200 gramas, segundo Dias.

Pedro Paulo Dias diz que existem outras intenções por trás da denúncia

Pedro Paulo Dias diz que existem outras intenções por trás da denúncia

“Ele não poderia ser curado pela urologia e insistiu para que fosse feita a cirurgia. Eu precisava de um médico de fora, um cirurgião geral para me ajudar, pois sozinho eu não conseguiria operar. Foi autorizado pela filha, a família pagou o médico que não era do São Camilo e ele declarou para o imposto de renda dele o pagamento”, afirmou  o ex-governador.

Pedro Paulo afirma que recebeu R$ 122 do SUS pela realização da cirurgia, que durou cerca de seis horas. Ele lamentou a judicialização do caso, no qual acredita haver segundas intenções.

“Isso me deixa, transtornado, magoado, triste. O mais importante é desconstruir a minha imagem. Vou pedir ressarcimento de quem fez a denúncia, pois há documentos comprovando tudo”, argumentou.

O ex-governador disse também que não descarta que as intenções de quem faz a denúncia seja de denegrir sua imagem.

“Desde 2010, uma malfadada Operação Mãos Limpas me tirou do governo. Ganhei tudo na justiça até agora, graças a Deus. Esse caso é uma coisa muito maldosa, que não contribui com nada”, concluiu.

Versão do MPF

Segundo o Ministério Público, o paciente chegou a negociar um valor com o médico e fechou o valor do procedimento em R$ 10 mil, que seria pago antecipadamente e em espécie. Segundo a investigação do MPF, o pagamento foi efetuado no estacionamento do hospital particular em que ocorreu a cirurgia, no mês de fevereiro de 2013. Nenhum recibo teria sido entregue ao paciente, comprovando o pagamento.

O portal SELESNAFES.COM não conseguiu contato com o médico Elpídio Dias, que é irmão de Pedro Paulo. 

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