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ANDRÉ SILVA

O Amapá pode perder cerca de 441 policiais militares para a reserva ainda neste semestre caso a reforma da previdência, proposta pelo presidente da República Michel Temer (PMDB), seja aprovada.A categoria já considera certa a aprovação da reforma,  mas acredita que o Estado pode criar condições para ascensão de carreira, e assim evitar que as perdas sejam maiores.

Segundo a Associação de Policiais Militares do Ex-território do Amapá,  dos 673 policiais que ainda estão na ativa, 80 já pediram para entrar na reserva este ano e mais de 400 já pediram orientação na associação para o pedido da aposentadoria e assim escapar dos efeitos da reforma.

A associação garante que se a reforma for aprovada os policiais vão perder 30% de seus direitos, assim como todo servidor do país.

O presidente da associação, Ailton Santos, informou que representantes da classe de todo o país estão em Brasília pressionando as bancadas para que a reforma não atinja a classe de policiais militares, assim como não atingirá o Exército. Eles tentam sensibilizar os deputados que irão votar a proposta nesta quarta-feira, 8.

“Queremos mostrar para os parlamentares que a condição dos policiais é uma condição diferenciada. Não tem hora extra, não tem hora para entrar nem para sair. É uma trabalho que tem muito serviço em lugares insalubres. A gente está tentando sensibilizá-los para manter os policiais fora dessa reforma”, pontuou Ailton Santos.

Comandante geral da PM, coronel Rodolfo: divergências pararam o projeto. Foto: Cássia Lima

Comandante geral da PM, coronel Rodolfo: divergências pararam o projeto. Foto: Cássia Lima

Para não ter  maiores perdas, a associação propõe que o governo do Estado leve adiante a proposta enviada à Assembleia Legislativa do Estado (Alap), em 2016, que previa a criação de novas vagas no quadro do Estado. A criação dessas vagas permitiria que os policiais do ex-território pudessem ascender na carreira.

A proposta original criava as vagas, mas extinguia outras, e acabou sendo rejeitada pelos próprios policiais que pediram que os deputados a rejeitassem também.

“Essa proposta do governador criava as vagas, mas extinguia o quadro especial que é onde o policial só entra quando está mais velho. Ele criou as vagas, mas acabava com o quadro, então a tropa falou com os deputados e a proposta foi rejeitada”, explicou o presidente.

O comandante geral da Polícia Militar do Amapá, coronel Rodolfo Pereira, disse que devido a divergência com  a classe a proposta do governo está parada.

“O governador deu entrada na Assembleia, mas voltou e não conseguiu avançar até hoje. Por conta de divergências da própria classe, os deputados devolveram o texto e o projeto está parado”, confirmou o comandante.

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