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ANDRÉ SILVA

Na tarde desta quarta-feira, 8, a Polícia Federal do Amapá (PF) deu mais detalhes sobre a Operação “Crisol”, deflagrada pela manhã em Oiapoque e Macapá, além de cidades em mais dois estados. O representante da empresa Ouro Minas no Estado e um revendedor de ouro que fornecia o produto para a empresa foram conduzidos para prestar depoimento. Além deles, um agente da PF do Amapá também estaria envolvido no esquema e foi afastado de suas funções.

A empresa já estava sendo investigada desde 2013, mas provavelmente, segundo a PF, já atuava há mais tempo no esquema. Toda a investigação corria de forma sigilosa.

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Gilson Coen, representante da Ouro Minas no Amapá é alvo da investigação. Foto: PF/divulgação

A polícia não revelou o nome dos envolvidos na operação, mas o portal SELESNAFES.COM  apurou que os investigados são: Gilson Coen, o proprietário de uma casa de câmbio em Oiapoque; e Simon Batista, também foi conduzido para prestar depoimento. Para a PF, Batista seria um dos fornecedores do ouro vindo de garimpos ilegais.

Além deles, o diretor da empresa em São Paulo, Juarez Silva, também foi conduzido para prestar depoimento na sede da instituição na capital paulista. Cerca de R$ 100 milhões já foram bloqueados na conta da empresa.

Em Macapá, foram cumpridos 5 mandados de condução coercitiva, 3 mandados de busca e apreensão. O agente da PF acusado de interferir nas investigações responderá pelo crime de formação de quadrilha e corrupção ativa.

“Ele foi ouvido e um inquérito foi aberto. O policial foi afastado por dois meses de suas funções. Ele agia como uma espécie de informante para a quadrilha”, revelou o superintendente da PF no Amapá, Raimundo Soares de Freitas.

Dinheiro apreendido na operação

Dinheiro apreendido na operação

Já em Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, foram cumpridos 6 mandados de condução coercitiva, 1 mandado de prisão preventiva, 6 mandados de busca e apreensão e uma pessoa presa em flagrante por porte de munição.

O esquema

Para a PF, a Ouro Minas atuava comprando o produto por meio de pequenos revendedores, falsificava as notas informando locais de compra inexistentes, revendedores e quantidades abaixo do real. Em seguida, o ouro era negociado na bolsa de valores e o dinheiro voltava limpo para as mãos da quadrilha.

Segundo a PF, cerca de 180 quilos de ouro eram transportados para fora do estado, cerca de R$ 27 milhões por semana.

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Maurício Pereira, advogado do representante da empresa: há outras pessoas envolvidas. Foto: André Silva

A rota

O ouro não saia apenas de garimpos legais, mas ilegais também, segundo as investigações. Depois de repassado a Ouro Minas no Amapá, ele era levado de avião para Itaituba, no Pará, passava em Alta Floresta, no Mato Grosso, e seguia até o destino final que era a sede da empresa, em São Paulo.

Segundo a PF, cada pessoa envolvida tinha suas funções devidamente restritas, o que mostra ser uma organização criminosa.

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