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JÚLIO MIRAGAIA

No próximo sábado, dia 18, será inaugurada a Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque, na fronteira entre a Guiana Francesa e o Estado do Amapá. Em matéria publicada no último dia 15 sobre a inauguração, o portal francês RFI indica a desproporção entre as autoridades de seu país que estarão presentes e as autoridades brasileiras.

Estará presente do lado francês a ex-presidenciável e ministra do Meio Ambiente, Energia e do Mar do governo de François Hollande, Ségolène Royal. Do lado brasileiro, nenhum ministro ou figura do primeiro escalão da União. Apenas representantes de ministérios participarão, como o Secretário Geral do Ministério de Transportes, Antônio Carlos Rodrigues.

royal e hollande

Ministra Ségolène Royal, ao lado do presidente francês François Hollande. Titular do Meio Ambiente estará na inauguração de sábado. Foto: RFI

A reportagem trata ainda do constrangimento entre os dois governos pela demora na conclusão do projeto de integração e que a finalização só tem progredido por conta da pressão do governo francês. Há ainda os argumentos para a demora da entrega do nosso lado, como o período chuvoso, a licença ambiental, a não conclusão da área de alfândega, dentre outros.

Em entrevista na mesma matéria, o senador Randolfe Rodrigues (REDE) diz que a ausência do governo brasileiro é na verdade um recado.

Randolfe disse que conversou com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, sobre o assunto e relatou que o governo brasileiro queria fazer uma inauguração completa da ponte, e não algo pela metade.

O RFI havia também entrevistado o senador amapaense em janeiro deste ano sobre o assunto.

“A França investiu dinheiro para a construção e a inauguração da ponte, e construiu sua alfândega. A burocracia e a incompetência do governo brasileiro são o principal impasse nesse momento. Tanto do governo anterior quanto do atual, de Michel Temer”, atacou Randolfe Rodrigues.

Senador Randolfe Rodrigues (REDE):

Senador Randolfe Rodrigues (REDE): burocracia e incompetência fizeram obra se arrastar do lado brasileiro. Foto: ascom/Randolfe

O que se percebe, no fim das contas, é que bem como os últimos governos, não é uma prioridade para o atual o projeto de integração que se arrasta. A ausência de ministros é um recado bem dado para entendermos que essa novela está longe dos últimos capítulos, apesar da estrutura física da ponte estar concluída.

Compreendemos o critério de prioridades do atual governo brasileiro, como não entender?! Afinal, eles estão mais preocupados em retirar o direito de aposentadoria da maioria da população com a atual reforma da previdência e pensar em como blindar seus ministros das investigações da Operação Lava Jato do que qualquer outra coisa.

Após a inauguração, outras questões precisarão ser resolvidas para que a ponte sirva de fato para que a economia avance e a cidadania plena seja efetivada nas regiões que devem ser beneficiadas com o empreendimento.

Veremos nos próximos meses como serão tratados pontos como a conclusão das obras aduaneiras, o tráfego de transportes com passageiros e cargas, dentre outros fatores. E se procede o argumento da “inauguração completa” do ausente ministro das Relações Exteriores.

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