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SELES NAFES

O juiz Marck William Madureira da Costa, da 1ª Vara do Tribunal do Juri, decidiu que precisa continuar preso o acusado de matar Elizelda Freitas da Silva, de 26 anos, vítima de um dos crimes mais obscuros e bárbaros da crônica policial do Amapá nos anos 1990. O pedido de habeas corpus foi negado.

Jackson Rodrigues Nepomuceno está preso no Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen) desde agosto do ano passado, quando foi localizado na cidade de Tianguá, no Estado do Ceará, onde levava a vida tranquilamente como pastor evangélico e chefe de família.

Na manhã do dia 28 de março de 1999, Elizelda foi encontrada morta em seu apartamento em um prédio na Rua Tiradentes, Centro Comercial de Macapá. Ela foi morta com 27 facadas.

Dois suspeitos foram inocentados. Um deles chegou a ficar quase 4 anos preso no Iapen, até ser julgado em 2012. O terceiro suspeito, Jackson Nepomuceno, foi reconhecido por testemunhas como o homem que conversava com Elizelda no portão na madrugada do crime.

De acordo com o MP, ele foi atendido na manhã seguinte no Hospital de Emergência de Macaá com um corte na mão, e depois pediu demissão do hotel onde trabalhava como recepcionista, na época com apenas 20 anos de idade. Ele alegava que precisava voltar ao Maranhão para ficar ao lado do pai.

Jackson Nepomuceno tinha 20 anos na época: versões diferentes para corte na mão e fuga do Amapá

Jackson Nepomuceno tinha 20 anos na época: versões diferentes para corte na mão e fuga do Amapá

O acusado chegou a ser preso preventivamente em 2002, quando finalmente prestou depoimento. Ele disse conheceu Elizelda em uma festa e que depois os dois foram até o apartamento dela. Quando estavam no imóvel, um suposto companheiro de Elizelda teria aparecido e iniciado as agressões aos dois.

Nepomuceno alegou que precisou se defender, e que por isso estava ferido. E que só soube do assassinato da vítima no dia seguinte pela imprensa. Esse foi o primeiro e único depoimento dele no processo, já que vem se mantendo calado nas audiências de instrução na Justiça do Amapá.

Na defesa do habeas corpus, o advogado tentou desqualificar a atuação da promotora Andréa Guedes, que resgatou o caso em 2005 e conseguiu oferecer denúncia contra Nepomuceno. A defesa alegou que não havia ato nomeando a promotora para o caso, tese que foi derrubada.

Edileuza foi morta com 27 facas, no apartamento onde morava. Foto: Arquivo familiar

Edileuza foi morta com 27 facas, no apartamento onde morava. Foto: Arquivo familiar

Ao analisar o HC, o juiz levou em consideração a denúncia do MP e o depoimento de Nepomuceno. Quando foi atendido com um corte na mão no Hospital de Emergência, ele teria dito aos atendentes que se feriu cortando coco, mas, para a esposa, a versão foi de que teria sido vítima de um assalto. No depoimento da própria esposa à época, ela revelou que ele teria informado um falso endereço no hospital.  

As versões diferentes e a saída dele do Amapá pesaram na decisão do juiz Marck William.

“Mostra atitudes compatíveis de quem pretender fugir da responsabilidade penal, largando para trás, inexplicavelmente, emprego certo e toda uma vida que vinha construiu em Macapá, quando o mais coerente seria procurar a polícia caso realmente não tivesse nada a ver com o episódio, situação essa já explicada anteriormente para lhe manter a prisão preventiva”.

No habeas corpus, a defesa alegou que Nepomuceno nada tem a ver com o crime, e solicitou que ele fosse inocentado. Contudo, apesar de admitir que nenhuma das provas é suficiente para a condenação, o juiz avaliou que elas precisam ser analisadas em julgamento no Tribunal do Juri.

Para evitar uma possibilidade de fuga, ele manteve a prisão preventiva. O julgamento ainda não tem data marcada.

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