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ANDRÉ SILVA

Os pais da pequena Clara Vitória Santiago de Sousa, de 2 anos, registraram na tarde desta quarta-feira, 15, um Boletim de Ocorrência, comunicando o falecimento da filha. A menina morreu no último domingo, 12, depois de esperar por duas horas na fila do Pronto Atendimento Infantil (PAI).

Com a denúncia feita, eles esperam abrir um inquérito policial investigue o falecimento da criança. A suspeita é que houve negligência. Antes de morrer Clara Vitória teve duas paradas cardíacas.

Dias depois do falecimento, a mãe da criança, Gleyce Kelly Santiago da Silva, de 21 anos, gravou uma conversa entre ela, uma médica e uma pessoa da chefia do PAI. Elas explicam as causas da morte da criança.

Pais de Clara Vitória passaram 6 dias sem conseguir internar a filha. Foto: André Silva

Segundo médicos, sonda não piorou quadro da criança. Foto: André Silva

Em determinado momento da gravação, a funcionária reconhece que a mãe tem razão em reclamar da demora no atendimento.

“Vocês tem razão de reclamar, que ela passou duas horas lá fora”, pontuou a médica.

Mesmo reconhecendo a demora ela explica que existem critérios a serem seguidos pelo hospital que organiza o atendimento classificando cada paciente de acordo com a gravidade da doença e a prioridade é determinada por cores: Azul (não urgência), verde (pouca urgência), amarela (urgência), laranja (muita urgência) e vermelha (emergência).

A menina estava com dificuldades de respirar, mas mesmo assim foi encaminhada para a sala amarela. Na tentativa de fazer o pulmão da criança funcionar de modo correto, por meio de medicamentos e a instalação de uma sonda, ela começou a sangrar pela boca.

BO registrado pelos pais da criança

BO registrado pelos pais da criança

Os pais com a

Casal num momento de descontração com a filha

A médica explicou que a sonda não piorou o quadro dela, apenas expulsou o sangue que já havia dentro de Clara Vitória, mas ela não soube precisar se o sangue estava no pulmão ou no estômago.

A causa da morte que consta na certidão de óbito aponta septicemia (infecção generalizada).

Agora, a família vai até a Defensoria Pública do Estado, pedir orientação para que um processo de investigação seja abeto.

“Não queremos processar ninguém agora sem saber o que realmente aconteceu, mas vamos abrir um processo para garantir que tudo seja esclarecido. Quero saber como minha filha morreu”, garantiu a mãe, Gleyce Kelly.

Depois de um dia de agonia, a menina foi transferida para o HE

Criança teria sido tratada na prioridade de atendimento da cor amarela

Em nota, Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), disse que toda a assistência que o quadro requeria foi prestada pela equipe e que, conforme o registro, a menina deu entrada no dia 10 de março e não no dia 8, como disse a família.

No segundo dia do atendimento, todo o procedimento para garantir a respiração da criança foi tomado. Por fim, a secretaria lamenta a morte da criança e se coloca a disposição para qualquer esclarecimento.

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