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ANDRÉ SILVA

A escuridão em boa parte da Orla de Macapá, maior cartão postal de cidade, traz medo e insegurança para quem pratica exercícios ou simplesmente visita o lugar. Na Fortaleza de São José, o breu toma conta. Nos quiosques, que já tiveram seus dias de glória, o que se vê, e se sente, é somente a penumbra e um odor muito forte do esgoto que transborda o dia inteiro.

Esgoto transborda na orla do "Lugar Bonito". Fotos: André Silva

Esgoto transborda no calçadão. Fotos: André Silva

Em boa parte do complexo da orla da cidade, que compreende desde o Bairro do Araxá, zona sul de Macapá, até o Bairro Perpétuo Socorro, zona leste, existem muitas luminárias apagadas. Em algumas há lâmpadas que queimaram, em outras o que se vê é o vazio.

Todos os dias centenas de pessoas praticam caminhada e corrida no local. O vento e o barulho das ondas batendo no muro de arrimo são as atrações principais, mas quando a noite cai a beleza do local some com a insegurança.

Fortaleza de São José na escuridão

Fortaleza de São José na escuridão

Santa Inês

Próximo da estação de captação da Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), no Bairro Santa Inês, a maioria das luminárias está apagada.

Pessoas usam a orla para caminhar

Pessoas usam a orla para caminhar

A professora Ivonete Lobato e a amiga, que moram no bairro, todos os dias iniciam a caminhada já nos últimos raios de sol. Quando a noite chega o local fica escuro. A cautela aumenta e qualquer estranho parado no meio do caminho é motivo de medo e tensão.

“Essa escuridão é péssima. Estamos sujeitos a assalto e a qualquer mal. A gente sempre tem que ficar observando todos que chegam perto porque pra mim são suspeitos. Todos tem que ficar vigilantes ao passar por aqui a noite”, orienta a professora.

Professora e amiga que caminham na orla tem medo quando a noite cai

Professora e amiga que caminham na orla tem medo quando a noite cai

Lugar Bonito

Ao redor da Fortaleza de São José, comumente chamado de “Lugar Bonito”, a escuridão é reinante. As recém-instaladas lâmpadas de led estão apagadas.

Jorge Cinato, de 57 anos, é uma figura conhecida pelos desportistas e transeuntes do local. Há sete anos ele trabalha na venda de água de coco e abacaxi gelado no mesmo lugar e disse que o lugar está escuro há pouco mais de cinco dias.

Luminária sem lâmpada

Luminária sem lâmpada

Cinato atribui a escuridão ao furto dos fios da instalação elétrica do local. Segundo ele, as pessoas levam os fios para tirar o cobre e vender e denuncia: uma das pessoas que ajudaram a fazer a parte elétrica ao redor do monumento teria sido responsável pelo crime.

“Ele conhece todos os pontos e isso facilita o roubo. Pelo que eu fiquei sabendo,  pegaram ele hoje. Já é a quarta vez que a Fortaleza manda ofício, a CEA vem e arruma, não demora muito alguém aparece e leva os fios”, denuncia o vendedor.

Jorge Cinato: fios foram levados novamente

Jorge Cinato: fios foram levados novamente

Ninguém se arrisca a avançar até a parte de trás da Fortaleza. Há alguns dias, o local era iluminado e isso coibia a ação de criminosos.

“Eu só chego até aqui. Daqui não passo. Não tem como a pessoa continuar caminhando nesse escuro. Aí é muito perigoso. Mesmo com a polícia passando de vez em quando, os bandidos agem”, criticou Patrique Oliveira, de 43 anos.

Patrique: daqui eu não passo

Patrique Oliveira: daqui eu não passo

No último dia 26 de janeiro, a pedido do Secretaria de Cultura do Estado (Secult), a empresa Fort Select instalou lâmpadas de led nos postes e fez a substituição dos cabos elétricos que haviam sido levado por vândalos.

Quiosques

Os quiosques, que já foram uma das principais atrações da Beira Rio, antiga Praça Zagury, estão em boa parte na escuridão. Alguns só funcionam de dia como restaurante e a noite servem de refúgio para os moradores de rua.

Algumas pessoas que trabalham ao redor do lugar disseram que os próprios donos dos pontos é que levam as lâmpadas, senão todos os dias teriam que comprar uma nova.

Quiosques servem de abrigo para moradores de rua

Quiosques servem de abrigo para moradores de rua

Além da escuridão, o odor do esgoto que transborda das caixas de gorduras dos estabelecimentos, incomoda quem passa por ali.

“Eu evito de passar por aqui . Além do medo de ser assaltado tem o fedor. Ninguém aguenta”, relatou o estoquista Juliano Macedo de 25 anos.

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Juliano Macedo: área suja e perigosa

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