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CÁSSIA LIMA

Parentes de pacientes que estão em tratamento contra o câncer em outros estados voltaram a reclamar da falta de pagamento do benefício do programa de Tratamento Fora de Domicílio (TFD). Existem pacientes que alegam não receber a ajuda de custo há 9 meses.

As pessoas só foram para outras cidades porque o Estado não possui estrutura hospitalar para o diagnóstico e tratamento de leucemia. Atualmente, cerca de 30 amapaenses fazem tratamento no Hospital Santa Marcelina, em São Paulo (SP). Muitos abandonaram o emprego para cuidar dos filhos.

Alessando

Alison Vilhena. Mãe relata que atrasos são constantes. Foto: arquivo familiar

Um exemplo disso é a dona Raimunda Vilhena Cordeiro, de 38 anos, ela deixou o emprego, família e amigos para acompanhar o filho, Alison Vilhena dos Santos, de 12 anos, diagnosticado há quase três anos com leucemia. Ela conta do atraso no TFD.

“Ano passado atrasaram até oito meses, agora já vamos para sete meses sem ajuda. Vivemos com as poucas doações. E não obtivemos resposta de pagamento. Só marcam e remarcam datas. É uma enrolação e descaso com a vida do meu filho”, desabafou a mãe.

Outro caso dramático é o do pequeno André Kauã Ferreira Santos, de 7 anos. Ele fez tratamento em São Paulo de janeiro 2014 até meados de 2016 e recebeu alta. Mas a criança continua fazendo acompanhamento, inclusive tem consulta marcada para dia 29 de março.

“Ele tem leucemia e das poucas vezes recebemos ajuda com 5 meses de atraso. Não tenho dinheiro para pagar passagem, se tivesse não estaria pedindo. Eu vi crianças morrerem pelo descaso do governo” ressaltou a mãe de André, Katicilene da Silva, de 34 anos.

Kauã e a mãe.

Kauã e a mãe. Ajuda do governo chega com atraso. Foto: arquivo familiar

Ela deu entrada para pedir ajuda de custo, mas os médicos do Amapá alegaram “ausência de laudos” que comprovem a continuidade do tratamento.

“Não recebo ajuda desde julho de 2016. Vivem marcando e remarcando data. Não basta a gente sofrer com a doença dos nossos filhos, ainda tem esse descaso com a vida. Eu já tive que vender minhas roupas pra gente comer e morar aqui”, disse Iracilda Bruno, de 44 anos que está em São Paulo em tratamento com o filho, Alessandro Bruno Miranda.

Sesa

De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o Amapá atende 4,5 mil usuários pelo TFD que fazem tratamento em mais de 10 estados do Brasil. Cada família inscrita no programa tem direito a receber cerca de R$ 369 por cada deslocamento e mais diária R$ 49,50.

A Secretaria de Saúde informou que já liberou pagamento de 11 lotes do TFD no valor de R$ 172 mil e que o dinheiro deve cair na conta dos pacientes até terça-feira, 7. Além disso, a secretaria frisou que muitos processos estão suspensos por falta de documentação. Os pais protestam.

“Já entregamos toda a documentação, mas nada. Semana passada disseram que faltava uns documentos. Juntamos tudo aqui e juntos com os médicos de São Paulo enviamos para o TFD no Amapá. Até agora nenhuma resposta. Já vi a lista dos lotes que serão pagos e meu filho não está nele”, adiantou Katicilene, mãe do pequeno André.

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