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SELES NAFES

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) informou nesta segunda-feira, 17, que vai processar militantes de outros partidos pela edição e divulgação de um vídeo contendo o depoimento de um dos delatores da Lava Jato, o ex-diretor da Odebrecht, Alexandre Barradas. O  vídeo, que tem mais de uma dezena de cortes, faz uma relação entre o senador e uma suposta doação de R$ 450 mil para a campanha de Clécio Luis, ainda no PSOl.

O vídeo foi divulgado nas redes sociais por militantes do PMDB e do PSB e tem 10 minutos e 26 segundos. No entanto, o vídeo original tem mais de 1 hora. Nele, Barradas inicia seu depoimento afirmando aos promotores da Lava Jato:

“Vocês vão ver que esse assunto não deu em nada”.

Ele conta que conheceu um jovem com menos de 40 anos supostamente chamado Rafael em um voo para Brasília em 2012. Rafael teria se identificado como advogado e empresário do setor de empréstimos consignados, e que também seria assessor do senador Randolfe Rodrigues. Rafael teria sugerido um encontro entre os dois e a reunião teria ocorrido em seu gabinete no Senado em junho de 2012.

“É bom saber que o senador não me pediu nada. (…) nossa conversa girou em torno da economia do Estado. Não sei se vocês conhecem o Amapá, mas deve muito. Ele disse que as grandes empresas do país precisam estar lá, mas nunca disse pra gente se instalar lá”, diz o ex-diretor. 

A Rede Sustentabilidade divulgou uma nota dirigida à sua militância onde afirma que o Rafael que é assessor do senador Randolfe não era advogado à época e nem empresário do setor de consignados. 

“Não morava nem estava em Brasília, não é goiano e nem trabalha ou trabalhou com crédito consignado. Se esse Rafael da delação existe, não é o assessor do senador”

No depoimento, Barradas lembrou que Randolfe explicou que o Amapá tinha um grande potencial econômico e poderia ser a porta de entrada e saída de mercadorias para o restante do mundo, e ainda que o Estado precisava sair da pobreza e passar por uma revolução onde as grandes empresas do país seriam importantes.

Contudo, garantiu, não houve pedido de apoio, nem para campanha de Clécio e nem para benefício próprio.

“Nunca houve esse indicativo. Não houve conversa sobre campanha e nem candidato. Quando ele falou de trabalho com jovens isso me entusiasmou, porque o problema do país é a falta de educação”.

O ex-diretor disse que depois do encontro, já fora do gabinete, foi perguntado por Rafael se ele toparia ajudar na campanha de Clécio. Nesse trecho do depoimento, Barradas disse ter entendido que fazendo isso estaria ajudando um projeto do partido por considerar Randolfe o “padrinho político” de Clécio.

Encontro com o senador teria sido único, e que na reunião ele não pediu nenhum apoio financeiro

Sobre Randolfe:  na reunião o senador não teria pedido nenhum apoio financeiro pessoal e nem para a campanha de Clécio

O delator diz que levou o assunto a seus superiores que consideraram aquela a oportunidade de iniciar uma relação “transparente e limpa com um partido reativo” para a futura construção de oportunidades de trabalho.

Ainda no depoimento, Barradas relatou que depois de algum tempo a empresa definiu que haveria uma doação de R$ 450 mil para a campanha de Clécio. Foi então que teria repassado para Rafael “senhas” e o local de encontro em São Paulo onde o dinheiro seria entregue.

Questionado pelos promotores que conduzem a Lava Jato sobre uma planilha que mostra três supostos repasses entre junho, agosto e setembro de 2012 para a campanha do PSOL, Barradas diz no vídeo original que não poderia afirmar se o dinheiro realmente foi pago.

“Pode ter sido um planejamento (a planilha) que não se realizou. Se foi garantido os R$ 450 mil não posso garantir”.

Clécio faz a tradicional pose ao votar

Sobre Clécio: delator disse que empresa queria doar, mas não pôde garantir se repasse foi mesmo efetivado. Fotos: Arquivo 

Ainda no vídeo original, Barradas afirma que apenas uma vez se encontrou com o senador, e que depois tentou contatá-lo algumas vezes, mas nunca recebeu resposta do gabinete do parlamentar.

Em novembro de 2012, ele teria jantado com Clécio, Rafael e um assessor do prefeito em um restaurante de Brasília. No encontro, não teria sido tratado de nada sobre parceria com a prefeitura de Macapá.

“Falei com ele (Clécio) uma vez, inclusive me agradeceu, deixando claro que ele sabia de onde tinha vindo o recurso”. Essa teria sido a primeira e última conversa com Clécio, onde os dois teriam falado sobre política na capital e saneamento. Depois disso, concluiu, não teve mais contato com o prefeito.

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