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ANDRÉ SILVA

A Policia Federal (PF) declarou em entrevista coletiva no fim da manhã desta quarta-feira (26) que o sócio operacional da empresa de mineração Pangea, investigada na operação Pantalassa e Quantum Debeatur, aliciava assentados por meio de suas cooperativas, para entrarem no esquema de informações falsas quanto ao replantio em áreas de manejo florestal.

Segundo a PF, contribuindo com a atividade ilegal, servidores públicos aceleravam o processo de créditos de plantios para que as empresas envolvidas no crime pudessem explorar mais do que plantavam.

O crédito florestal, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), é gerado quando uma área reservada para o desmatamento legal recebe a mesma quantidade de muda de árvores que serão exploradas. As mudas são plantadas pelos assentados dessas áreas e são pagas pelas empresas que exploram a madeira.

Delegado João Paulo Bastos: havia cooptação de assentados. Fotos: André Silva

Os assentados já cooptados pela Pangea (empresa investigada), de acordo com a investigação, passavam informações falsas de plantios muita vezes com valores seis vezes maiores do que realmente a área era capaz de suportar. Depois disso era repassada essa informação para  empresa que pagou pelo plantio e que iria explorar a área.

O mesmo era informado para outras empresas que também exploravam madeira e que faziam parte do consórcio que tinha a empresa investigada.

Com o relatório falso em mãos, as empresas poderiam desmatar além do permitido.

“O sócio operacional cooptava assentados, muitas vezes terceiros, laranjas, só pra colocar o lote lá e conseguia essas autorizações mais rápidas por meio de facilidades ou vantagens e, possivelmente, há o envolvimento de alguns servidores públicos com falsidade ideológica no processo de liberação desses créditos”, informou o delegado João Paulo Bastos da Delegacia de Crimes Contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico.

Na operação Quantum Debeatur, a PF investiga a participação do Instituto de Meio Ambiente (Imap), na transferência de créditos indevidos para empresas de exploração de madeira.

Operação foi deflagrada nesta quarta-feira (26)

“O relatório do Ibama apontou que 90% dos créditos florestais do Amapá são oriundos de duas áreas apenas. Após uma vistoria no local o instituto constatou que aquela área só teria capacidade de receber 10 mil m³ de plantio e não os 51 mil m³ como o declarado”, explicou o delegado.

O delegado não informou o nome da única pessoa detida na operação de hoje, mas o portal SELESNAFES.COM apurou que se trata do sócio detentor de 90% da revista Acontece Amapá. Ele também é o proprietário da Pangea.

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