Era uma vez o “Orelhão”…

Eles estão desaparecendo da paisagem pela evolução do mercado. O vandalismo e a falta de manutenção fazem o resto do trabalho
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ANDRÉ SILVA e SELES NAFES

O tradicional “orelhão” parece mesmo estar com os dias contados. No Amapá, apenas nas localidades mais afastadas eles ainda funcionam e de fato são úteis. Já nos maiores centros urbanos, como Macapá, Santana, Oiapoque e Laranjal do Jari, eles são cada vez mais raros. 

O sumiço gradativo do telefone público na paisagem tem vários fatores. O mais forte deles é a popularização do celular. Até os cartões telefônicos começaram a desaparecer do comércio.  

“No tempo em que era comercializado, isso há quase 5 anos, o lucro que a gente tinha na venda era bom e o giro também, mas parece que acabou mesmo”, lamenta o comerciante Valtécio Oliveira, de 33 anos. 

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Raimundo Nonato: uma luta encontrar um que funcione. Fotos: André Silva

E encontrar um aparelho funcionando chega a ser um desafio.

“Hoje eu só uso celular, mas há dez anos o orelhão servia muito. Hoje em dia para você encontrar um que funcione é uma luta, por isso desisti de usar”, reclamou o pintor de automóvel, Raimundo Nonato, de 47 anos.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem na capital 1.687 telefones públicos em funcionamento, e mais de 3,1 mil em todo o Estado. A OI, empresa que está em processo de recuperação judicial, continua sendo a concessionária responsável pelo serviço e manutenção dos aparelhos.  

Pelas regras da Anatel, a empresa tem a obrigação de manter ao menos 85% dos aparelhos em funcionamento, mas na prática não é isso que acontece. No ano passado, a OI foi multada e impedida de cobrar por ligações locais nos orelhões. A medida foi uma punição pela falta de conservação dos aparelhos, que também são alvos do vandalismo. 

Aparelhos danificados e sem uso

Aparelhos danificados e sem uso há muito tempo

OI continua sendo a concessionária, apesar da crise na empresa

OI continua sendo a concessionária, apesar da crise na empresa

A Anatel acompanha a quantidade de aparelhos em funcionamento. O controle é feito à distância. 

“Hoje a Anatel em Brasilia possui ferramentas que permitem o monitoramento dos aparelhos ativos ou inativos”, revela o superintendente da Anatel no Amapá, Edward Aires.

Ele explica que existe um plano de metas da Anatel que prevê a desativação gradual dos orelhões, que no jargão técnico são chamados de “TUPs” (telefone de uso público).

“Até o início dos anos 2000 a meta era espalhar os TUPs por todo o Brasil, mas com o advento do celular houve essa mudança e a própria legislação se adequou. A exceção são as pequenas localidades. Comunidades com mais de 100 habitantes precisam ter um TUP, e a partir de 300 moradores é preciso uma planta com vários aparelhos”, explica Aires.

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Edward Aires , superintendente da Anatel no Amapá: plano gradativo de desativação

Mudanças nas próprias metas da Anatel para o mercado ilustram o desaparecimento dos orelhões. Em 2005, o regulamento determinava que deveria haver 8 aparelhos para cada 1 mil habitantes. Em 2011, a meta passou a ser de 4 TUPs para cada 1 mil.

Mas, como ainda existem localidades de difícil acesso e até sem o serviço de telefonia fixa ou móvel, ainda não é possível precisar quando os velhos telefones públicos vão sair de cena em definitivo. A evolução do mercado de telefonia é quem vai responder pergunta.

 

Seles Nafes
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