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por WASHINGTON PICANÇO, advogado criminalista

A Guerrilha do Araguaia foi uma grande epopeia de luta pela liberdade e pela democracia em nossa pátria no início da década de 70.

A batalha foi desigual entre combatentes revolucionários e as forças de repressão do regime reacionário imposto ao país com o golpe de 1964. Mesmo atualmente é difícil conseguir informações sobre o confronto ocorrido no Sul do Pará partir de um ataque do Exército em 12 de abril de 1972.

A Guerrilha do Araguaia foi o único movimento rural armado contra o regime militar – cujo combate mobilizou o maior número de tropas brasileiras desde a II Guerra Mundial, conforme uma série de reportagens publicada por O Globo entre abril e maio de 1996.

A Guerrilha do Araguaia só foi oficialmente reconhecida mais de vinte anos depois de ocorrida, quando foram revelados extratos de um relatório militar comprovando a morte de dois guerrilheiros: Idalísio Aranha Filho e Bergson Furjão de Farias, em dezembro de 1992.

Militares condenados evitam falar sobre a Guerrilha

Militares condenados evitam falar sobre a Guerrilha. Foto: Acervo O Globo

O general Hugo de Abreu, que participou das operações contra os moradores do Araguaia, chegou a afirmar que essa foi a luta mais importante já realizada no meio rural.

Dos 69 militantes do Partido Comunista do Brasil que estavam na área, 59 morreram no conflito, além de moradores da região também assassinados e das baixas das Forças Armadas – as estimativas variam entre quatro e 200 militares mortos.

Do lado do governo, segundo O Globo, houve casos de militares mortos no combate à Guerrilha cujos corpos foram entregues às famílias em caixões lacrados, acompanhados da explicação de que a morte ocorrera por acidente durante uma manobra de treinamento.

As Forças Armadas desencadearam três campanhas militares contra a Guerrilha. A partir da terceira campanha, os próprios militares passaram a se referir às operações que desenvolviam como “guerra suja”.

“Os guerrilheiros não se tornariam prisioneiros de guerra. Simplesmente deixariam de existir. Todos, com a exceção de Ângelo Arroyo, que escapou, foram mortos. São muitas as denúncias de tortura”, reporta O Globo.

Os oficiais do Exército avaliavam que a Guerrilha do Araguaia duraria décadas, caso não fosse combatida da forma criminosa que foi. Mesmo os oficiais condecorados por bravura na repressão à Guerrilha evitam falar no assunto.

Ao contrário dos militares que lutaram na II Guerra Mundial, que exibem com orgulho as medalhas que conquistaram na luta contra o nazifascismo, os heróis das Forças Armadas no Araguaia são discretos. Afinal, como justificar as condecorações numa guerra que, oficialmente, não houve?

Há 45 anos, vários brasileiros tombaram e deram seu sangue em nome da Liberdade e da Democracia. A estes minhas homenagens.

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