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SELES NAFES

A Polícia Civil do Amapá entrou na reta final do inquérito que investiga a denúncia de prática de tortura em uma clínica de reabilitação para pessoas dependentes de drogas, localizada na zona norte de Macapá. Os donos do lugar foram indiciados e o local permanece fechado.

O inquérito deve ser enviado ao Ministério Público ainda este mês, mas isso ainda depende da liberação de laudos periciais pela Polícia Técnica do Amapá (Politec). Apenas os laudos de constatação foram divulgados na época do fechamento da clínica. Os relatórios preliminares confirmaram ferimentos nos pacientes. 

“Faltam ainda algumas diligências, e nesta fase final estamos apurando a possível participação de alguns funcionários”, explica o delegado Celso Pacheco, que já encerrou a fase de depoimentos.

O psiquiatra de Belém que costumava atender os pacientes algumas vezes durante o mês também foi interrogado, mas o conteúdo é mantido sob sigilo para não atrapalhar futuras diligências.

A clínica foi fechada no dia 10 de fevereiro numa operação conjunta do MP e da Polícia Civil após seis meses de investigações baseadas em denúncias de parentes e pacientes. Foram apreendidos no local spray de pimenta, algemas, medicamentos e o que seria uma palmatória.

No decorrer das investigações a polícia também descobriu que houve um óbito no centro de reabilitação que funciona no Bairro Brasil Novo. A defesa dos donos do local admitiu a morte, mas negou alguma relação com o tratamento.

Na operação foram presos os professores Francisco Charles Marinho Brito e o irmão dele, Iran Célio Marinho, donos do centro. A prisão preventiva deles foi decretada na audiência de custódia, mas acabou sendo revogada dois dias depois.

A defesa nega que os ferimentos nos pacientes tenham sido provocados por tortura, e garante que o trabalho era feito dentro de todas as normas previstas em legislação. Ao todo, 42 pacientes foram retirados do local.

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