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CÁSSIA LIMA

Continuam paradas as obras do muro de arrimo no Bairro do Aturiá, na Zona Sul de Macapá. O canteiro foi abandonado pela empresa e já foi saqueado. O espaço está abandonado desde o fim de 2015.

Os moradores da orla do Araxá reclamam da paralisação das atividades e do medo de ter suas casas levadas pela força do rio. Os proprietários de quiosques do Araxá temem pela movimentação de meliantes durante a noite.

“Essa obra virou história. Durante o dia tem gente que fica por aí. A noite tem uma movimentação de jovens para usar drogas e Deus sabe mais o quê. Já coloquei refletores para manter os clientes”, destacou o empresário Fausto Vieira.

Empresa retirou o que sobrou depois dos saques de material de construção. Fotos: Cássia Lima

Onde era o canteiro de obras só existe um monte de terra e mato alto. A empresa retirou os tapumes e alguns materiais depois dos saques. O muro começou a ser erguido pelo governo em outubro de 2013, com previsão para ser concluído em 2014.

Alguns moradores próximo ao canteiro, confirmam a informação de que o espaço virou reduto de bandidos a noite.

“Essa obra tem mais de um ano parada. Até que aqui, para nós, o inverno não foi tão ruim, mas para o pessoal que mora mais lá pra frente, sim”, disse o autônomo Orlando Espíndola, de 42 anos.

Obra avançou alguns metros

A dona de casa Rosimeire Santos reclama da escuridão do local que é próximo da casa dela. Além do medo constante da sua casa ser levada pelas águas, como já ocorreu com outras residências.

“Nós já fizemos barreiras com pernamancas, aterro. Mas a força da maré é muita. Queremos uma resposta de quando vamos ter essa obra”, reclamou.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura do Estado (Seinf), o projeto está parado porque houve problemas no repasse da segunda fase da obra. Além disso, a secretaria readequou o projeto e espera liberação do governo federal.

Rosemeire: medo do rio

Muro precisa ter mais de um quilômetro para proteger o que restou das casas

A obra

O reinício da obra ocorreu em 21 de outubro de 2013, com um investimento de R$ 12 milhões. Desse montante R$ 4 milhões seriam financiados pelo Governo Federal por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 8 milhões eram do Governo do Estado, na época comandando por Camilo Capiberibe (PSB). Mas a obra começou e parou ainda durante o governo Waldez Góes (PDT), em 2008.

O projeto previa um muro de quase um quilômetro de extensão que compreenderia desde o fim do Complexo do Araxá até a Avenida Equatorial, no Aturiá.

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