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SELES NAFES

Morreu na tarde desta segunda-feira (22), no Hospital São Camilo, o escritor, jornalista e professor Antônio Munhoz Lopes. Ele estava internado havia duas semanas com problemas renais.

“Não sei se alguém representou mais do que o Munhoz, para várias gerações, na literatura e na educação do Amapá”, resumiu emocionada a jornalista, escritora e amiga, Alcinéa Cavalcante.

Antônio Munhoz era paraense, nascido em Belém. Depois de iniciar o curso de Filosofia e quase ter virado padre, ele se tornou bacharel em Direito.  

Chegou a Macapá em 1959, e foi obrigado a ser censor da ditadura. Entretanto, nunca impediu de circular o único jornal da época, a Voz Católica.

Com os amigos da literatura. Fotos: arquivo/Alcinéa Cavalcante

Munhoz também foi delegado de polícia, mas ficou conhecido por ser um policial que nunca pegou em uma arma. Extremamente culto, costumava presentar os presos em sua delegacia com livros de escritores como Machado de Assis. Achava que era melhor que eles recebessem um pouco de cultura, em vez de ficar pensando em crimes.

Depois de dar aulas e editar vários livros, nos últimos anos vinha se dedicando a um programa de rádio com César Bernardo e Rostan Martins. Ao lado da inseparável amiga Alcinéa Cavalcante, também não deixava de lado a literatura poética.

No Parque do Forte recitando poesias

Alcinéa, na verdade, herdou do pai a amizade de Munhoz. Alcyr Araújo e Antônio Munhoz eram muito amigos.

“Eu era criança, e o papai chamava ele se cidadão do mundo. Quando ele chegava em casa ele contava histórias e eu ficava de boca aberta”, lembra ela com fascínio.

Em fevereiro deste ano, o educador chegou a ser homenageado na Assembleia Legislativa do Amapá.

Com a amiga inseparável, Alcinéa Cavalcante

Munhoz gostava de caminhar pelo centro antigo de Macapá

Ultimamente, os amigos insistiam para que ele voltasse a morar na casa dele, fica na Rua Leopoldo Machado. Contudo, ele morou durante muitos anos no antigo Hotel Santo Antônio, na Rua Coriolano Jucá, e perto dali estava ocupando outro apartamento.

Apesar da idade avançada, Antônio Munhoz gostava de andar muito pelo centro antigo de Macapá, especialmente entre a Biblioteca Pública e a Confraria Tucuju. Não teve filhos, mas ao mesmo tempo teve muitos na educação.

Os amigos ainda não confirmaram onde será velório e o sepultamento.

Foto de capa: Chico Terra

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