Compartilhamentos

OLHO DE BOTO

A Delegacia do Meio Ambiente da Polícia Civil (Dema) tem recebido denúncias de moradores próximos da sede do Trem Desportivo Clube acerca de problemas com poluição sonora. A polêmica não é nova e, principalmente quando se aproxima o período de festas juninas, as reclamações  surgem pelo fato do espaço não possuir nenhum tipo de revestimento acústico para controlar o barulho emitido durante os eventos promovidos pela agremiação.

A novidade descoberta pela polícia é que, além da questão do som, a energia elétrica utilizada no prédio seria desviada de algum lugar. Após inspeção junto com a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) no local, a situação foi constatada. 

De acordo com os registros da CEA, diz a polícia, o fornecimento de energia está interrompido na sede pelo não pagamento de faturas. A companhia confirmou que o Trem já foi autuado várias vezes pelo furto de energia, mas não informou qual é a atual situação da agremiação. 

Segundo o delegado de Meio Ambiente, Sávio Pinto, as irregularidades estão sendo apuradas e os responsáveis pela poluição e o suposto furto de energia podem ser indiciados e até presos.

“Nós não conseguimos com o diálogo resolver o problema. Agora, iremos destacar uma equipe da Delegacia do Meio Ambiente para que no domingo faça o acompanhamento no local com o decibelímetro, que é o aparelho que irá avaliar se os níveis de ruídos correspondem aquilo que determina a legislação. Se estiverem acima nos pontos em que realizarmos as medidas, os organizadores do evento e a direção do trem irá responder pelo crime de poluição sonora, podendo ser presos e indiciados”, explica o delegado.

Delegado Sávio Pinto: abusos e irregularidades serão combatidas. Fotos: Olho de Boto

Sobre a acusação de possível furto de energia, o delegado alerta que também será averiguada a situação.

“Isso é crime de furto, gato. Nós vamos levar uma perícia com a CEA e se for comprovado, as pessoas podem ser presas e indiciadas pelo furto de energia elétrica”, destacou.

O delegado recorda também que as reclamações crescem todos os anos, de que as festas se prolongam da madrugada até o amanhecer e a vizinhança não consegue ter paz.

“As pessoas se sentem blindadas com a falta de punição, me parece que está faltando punição, faremos a nossa parte”, complementou.

O policial afirma ainda que se as irregularidades forem comprovadas, a Dema irá agir “doa a quem doer”. No caso do crime de poluição sonora, a pena é de 1 até 4 anos de reclusão, podendo chegar a 5 anos. Já o crime de furto de energia pode levar a uma pena que varia também de 1 a até 4 anos de prisão.

Sede do Trem não possui revestimento acústico, e estaria usando energia furtada. Fotos: André Silva

Presidente do Trem nega acusações

A presidente do Trem Desportivo Clube, Socorro Marinho, nega todas as acusações feitas pelo delegado. Segundo ela, as denúncias apresentadas são feitas por um policial civil que é morador das proximidades e que não representa o que a maioria da vizinhança acha das festas realizadas pela entidade. Sobre a denúncia de furto de energia, a presidente do Trem também afirmou ser improcedente.

“Ele está mentindo, ficando do lado do policial civil que é vizinho da sede. Ele não é Deus, está sendo parcial. O delegado deveria estar preocupado em prender bandidos, mas prefere se enfrentar com a cultura de nosso Estado e com o Trem, que tem 70 anos de história. A quadra junina é um espaço de famílias, onde vão pessoas de bem. Tivemos problemas já entre esse vizinho e jogadores do Trem”, disse Socorro Marinho.

A presidente do Trem disse ainda que no dia 6 de junho haverá uma audiência na Justiça com o morador que faz as acusações e que será comprovado que o alegado não condiz com a realidade.

Socorro Marinho: delegado está sendo parcial. Foto: Gabriel Penha/globoesporte.com

Omissão

Para o delegado Sávio Pinto, o problema da poluição sonora se dá principalmente pela omissão da fiscalização do Município. Ele acredita que a secretaria municipal de Meio Ambiente tem ações que são incapazes de resolver o barulho abusivo na cidade.

“A secretaria não caça alvará, não fecha estabelecimento comercial, nem deveria emitir algumas licenças que não conseguirão se adequar”, questiona.

Ele aponta que em Macapá há um verdadeiro “derrame” de veículos que atuam impunemente.

“A CTMac, que deveria multar esses carros, determinar que o condutor retirasse esses equipamentos sonoros, mas não faz absolutamente nada, não existe uma operação da CTMac contra essa prática”, finalizou.

Compartilhamentos