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De Santana, FERNANDO SANTOS

O Sindicato das Empresas de Transportes Públicos do Amapá (Setap) disse nesta terça-feira (30) que é iminente uma demissão em massa de trabalhadores se o transporte clandestino não for combatido com eficiência dentro da cidade de Santana, a 17 quilômetros de Macapá. O faturamento das empresas teria caído 80%, principalmente nas linhas intermunicipais.

“Pelo visto vamos ter que chegar a esse ponto de reduzir o número de ônibus. Se a gente tirar 50 ônibus, vamos ter mais de 300 trabalhadores desempregados”, ressaltou Décio Melo, presidente do Setap.

Os infratores que promovem a conhecida “lotação Santana/Macapá” desafiam até mesmo a fiscalização e os próprios taxistas legalizados. A reportagem do Portal SELESNAFES.COM flagrou vários veículos particulares promovendo a busca desordenada dos passageiros.

Carros que fazem lotação recolhem passageiros nas paradas de ônibus. Fotos: Fernando Santos

Outro carro fazendo lotação no mesmo ponto

Eles aguardam os pontos de parada ficarem lotados para então agir. O maior número de flagrantes foi registrado na Rua Cláudio Lúcio Monteiro, Área Portuária de Santana.

“Tem dias que a gente não faz dinheiro nem pra abastecer o carro. Santana está dominada pelos piratas. Quem hoje tem que pagar prestação de carro e depende da praça, não paga. A gente pede mais fiscalização e poder público em geral que nos ajude”, reivindicou o taxista, Francisco Rodrigues.

“E também falar dos mototáxis que ainda não estão legalizados. São pra mais de 2 mil. E com a lotação a situação é ainda pior. A criminalidade aumentou, assalto em geral. Essa prática dos piratas é uma tremenda irresponsabilidade. Não tem segurança alguma. Andam de bermuda, andam drogados e ainda fazem transporte de armas. Nossa renda de passageiros caiu 80%”, disparou Décio Melo.

Taxista Francisco Rodrigues: tem dia que não dá nem para abastecer

O presidente do Setap informa ainda que já houve casos de estupro de mulheres que apanharam as lotações.

“Várias e várias mulheres dentro de Santana e Macapá já foram estupradas com essa prática de transporte irregular, porque não se sabe a identidade desse pessoal”, disse Décio.

“Sempre teve transporte clandestino, mas hoje o negocio pirou. Perderam a vergonha, perderam o medo. Tá tudo dominado. Invadiram Santana e pegam corrida na frente de táxi e de ônibus”, explicou José Cardoso, que é taxista em Santana há mais de 20 anos.

Uma vigilante que preferiu não se identificar contou que foi vítima de uma pessoa que lhe prestou serviço irregular de lotação.

“Eu peguei uma lotação no Zerão para vir pra Santana. Quando chegamos, dei R$ 20 para ele tirar o valor de R$ 7 cobrados. Quando eu desci ele arrancou com o carro levando o meu troco”, denunciou a vigilante.

Taxistas aderiram à mobilização das empresas de ônibus

Mais de 300 trabalhadores seriam demitidos com a retirada de 50 ônibus

O Superintendente de Transporte e Trânsito de Santana (STTrans) garante que o trabalho de fiscalização está sendo feito, mas que é necessário também a conscientização da população em não utilizar o transporte irregular.

“Toda e qualquer atividade ilegal deve ser combatida com fiscalização constante. E fiscalização se faz com pessoal e estrutura, e é justamente o que estamos fazendo a frente da superintendência. Dentro de 20 dias teremos mais 15 agentes fiscalizando o trânsito e os transportes. Esse quantitativo passará por um curso de formação a ser iniciado em 01.06.2017. Contamos também com a conscientização da população para não usar o transporte irregular”, garantiu o superintendente da STTrans, Josiney Pereira Alves.
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