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JÚLIO MIRAGAIA

E ANDRÉ SILVA

Moradores de uma área próxima da Rodovia AP-440, próxima da ferrovia que vai de Santana para Serra do Navio, denunciam o abandono do local pelo poder público. Insegurança com assaltos durante o dia, bocas de fumo, falta de iluminação e de coleta de lixo são os principais problemas apresentados por quem vive ali.  

“Parece que não fazemos parte da sociedade. Eu, que batalho, tive minha casa arrombada. Meus bens foram usurpados por ladrões que todos sabem quem é”, reclama uma moradora que preferiu não se identificar, com medo de retaliações.

Área dos Trilhos tem limpeza feita por morador. Fotos: André Silva

Residência em que muro foi aumentado para evitar novas invasões

Ela relata que sua casa foi invadida por bandidos na tarde do dia 13 de maio e que esperou pela chegada da polícia um dia inteiro. Segundo a vítima, os bandidos levaram, sem grandes dificuldades, seus bens para uma boca de fumo, no período de uma hora em que ela saiu de casa com uma das filhas. De acordo com a moradora, os policiais alegaram falta de pessoal e de viatura.

“Disseram que quando liguei somente uma viatura cobria uma área muito grande”, recordou.

A moradora alerta também que o roubo em sua casa não foi um fato isolado. As denúncias feitas pelos moradores ao portal SELESNAFES.COM também tratam da existência de várias bocas de fumo na área em que ficam os trilhos. 

“Nós, moradores das áreas mais distantes do Centro, vivemos em completo abandono, sem segurança e à mercê da bandidagem. As casas têm que virar verdadeiras fortalezas. E mesmo assim são invadidas e saqueadas.”, reclamou.

Vizinhança realiza revezamento na vigilância contra criminosos

Com abandono da ferrovia, lugar tem sido ocupado por usuários e traficantes

Rodízio na vigilância

A falta de policiamento e os constantes roubos às residências fizeram com que um grupo de moradores tomasse uma atitude radical: agora eles se revezam durante a noite para vigiar o local.

O operador de máquinas pesadas, Adinaelson Alves dos Santos, de 45 anos, já mora no local há mais de 12 anos. Ele conta que os rodízios passaram a fazer parte da rotina dos moradores daquela região.

“Aqui tem um problema de violência muito grande, principalmente nas sextas-feiras. A gente tem que ficar acordado até de manhã. A gente faz rodízio até o dia amanhecer e estamos preparados para ajudar um ao outro”.

Adinaelson Alves: sexta-feira é o pior dia

Ele conta que a vigilância tem dado certo e houve um dia em que um homem foi pego roubando a casa de um dos vizinhos que quando percebeu a ação do bandido, chamou por socorro.

“Eu alcancei um aqui uma vez. Era umas duas da manhã. Pegamos ele e chamamos a polícia e ela o levou. Ele era do Araxá”, relatou o homem.

Moradores limparam uma parte do trilho que estava coberta pelo mato

O operador de máquinas conta que, além da falta de policiamento, o mato alto na ferrovia facilita o trabalho dos ladrões que se aproveitam para se esconder. Ele mesmo faz a limpeza de boa parte da estrada de ferro que passa próximo da sua casa.  

“Se eu não fizer a gente fica à mercê dos bandidos. A maioria dos moradores nem anda mais por aqui a noite”, finalizou.

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