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SELES NAFES

Um grande tumulto com pancadaria marcou a eleição da Executiva Estadual do PT do Amapá neste fim de semana. Além das agressões físicas e verbais, o grupo que permaneceu no local após a confusão continuou o evento e elegeu Antônio Nogueira como o novo presidente do partido. O atual presidente, Joel Banha, pediu a anulação da eleição.

A eleição estava na programação do 6º Congresso Estadual do PT, no último sábado (6), em um casa de eventos no Bairro Jesus de Nazaré, em Macapá. A confusão começou por volta das 18h30min, depois que o grupo do ex-prefeito de Santana, que era maioria no congresso, aprovou a inversão da pauta, ou seja, primeiro ocorreria a eleição e depois os debates.

A proposta foi aprovada, mas houve protestos. Um dos militantes, o ex-vereador Isaias, usou o microfone para dizer que o partido não poderia ser comandado por alguém que é “ficha suja”, condenado pela Justiça e até demitido do serviço público, referindo-se a Antônio Nogueira.

No contra-ataque, o radialista Heverson Castro, que pertence ao grupo político de Nogueira, usou o microfone para rebater.

“Isso foi na contramão do nosso discurso, pois defendemos o princípio da presunção da inocência do Lula na Lava-Jato. Ele é réu, mas não foi condenado. O Nogueira ainda tem recurso no STJ. E eu disse que sou solidário ao Joel, que também é réu na Eclésia denunciado pelo recebimento de diárias. Eu disse que vamos ficar do lado dele, apenas comparei os dois exemplos”, alegou Castro.

Foi nesse momento, segundo o radialista, que a esposa de Joel Banha, a ex-vice-governadora Dona Nascimento, teria lhe dado três empurrões.  

“A Dora iniciou a agressão, e quando fez isso ela incitou o grupo dela. Ela é do diretório nacional, é lá que ela responde. Não vou registrar queixa contra ela porque isso expõe ainda mais o partido”, comentou o radialista que teria sido agredido por várias pessoas.

Congresso estava sendo conduzido pelo presidente Joel Banha. Fotos: Divulgação

O atual presidente do partido, Joel Banha, minimizou a reação de Dora Nascimento.

“O Heverson é acostumado a fazer esse tipo de ataque verbal às pessoas, e ela apenas tocou nas costas dele porque acabou o tempo e ele continuou atacando. Ele se recusou a entregar o microfone, e isso levou outros militantes a irem pra cima dele”, alegou Banha.

Houve pancadaria, mas, o momento mais tenso, logo no início, não foi filmado. Depois de aproximadamente 15 minutos de confusão, Joel Banha, que estava dirigindo os trabalhos, declarou o evento encerrado e se retirou do local com todo o seu grupo.

Contudo, o congresso continuou, desta vez sendo presidido pelo vice-presidente da Executiva Estadual, Marco Roberto Marques. Ele anunciou que o evento estava mantido, e houve apenas uma chapa inscrita, a de Antônio Nogueira, que acabou sendo eleita.

Joel Banha oficializou à Executiva Nacional do PT um pedido para que o congresso de sábado seja anulado por falta de segurança. 

“O professor Marcos é o vice, então na ausência do presidente quem assume é ele. O vice chamou a polícia depois fomos conferir o quórum. Nós tínhamos a maioria. Fizemos uma nova relação de credenciamento, todos assinaram e fizemos foto para provar. Ficamos até às 21h, mesmo com fome porque o presidente (Joel) cancelou o lanche quando foi embora. Reduzimos o tempo do evento, que estava marcado até às 22h, e prosseguimos. Hoje enviarei a ata para a executiva nacional”, informou Nogueira.

Chapa eleita durante o congresso

Nos bastidores, o acirramento da disputa pelo comando do PT do Amapá tem um motivo maior que nada tem a ver com divergências ideológicas ou antecedentes criminais. O grupo de Nogueira, que hoje é maioria no partido, quer permanecer no governo Waldez Góes e ampliar esse espaço.

O grupo de Joel Banha e Dora Nascimento, por outro lado, tende a uma reaproximação com o PSB, do ex-governador Camilo Capiberibe.

Por enquanto, Joel Banha permanecerá como presidente. Se ele não conseguir reverter a situação, Nogueira deve tomar posse em junho.  

 

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