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CÁSSIA LIMA

Cinco pessoas relataram nesta quarta-feira (17) ao portal SELESNAFES.COM que foram vítimas de estelionato praticado por uma agência de viagens de Macapá. As vítimas alegam ter pagado passagens ao proprietário da empresa, mas nunca receberam o voucher.

Todos os cinco casos aconteceram entre janeiro e abril deste ano. Uma das vítimas é a eletricista de carros Ana Cleide da Silva, de 41 anos. Ela diz que em abril foi à agência G.Tour Viagens, do empresário Cícero Murilo Patrício da Silva. O escritório era até então localizado na Avenida Mendonça Furtado, número 182, no Centro.

“Eu fui à agência e falei com o Murilo. Disse que precisava de duas passagens do Rio Grande do Sul pra cá. Ele me assegurou que conseguia as passagens por R$ 1,4 mil, sendo que eu só tinha encontrado por R$ 1,9 mil”, explicou a eletricista.

Ana Cleide da Silva: prejuízo com golpe ao tentar economizar. Fotos: Cássia Lima

Interessada pelo preço bem abaixo da concorrência, ela pagou o valor à vista. Ana Cleide da Silva diz que recebeu o voucher das passagens para o dia 12 de abril para o irmão dela, a cunhada grávida e a sobrinha de um ano de idade.

Quando o irmão chegou ao aeroporto veio a surpresa: não havia nenhuma passagem paga pela agência de turismo. Ela então foi novamente à agência, mas dessa vez com as filhas.

“Ele disse que ia resolver e colocar meu irmão num voo pra São Paulo e lá meu irmão ficou uma noite no aeroporto. No dia seguinte eu fui à agência com a polícia”, contou a eletricista.

Cícero Murilo na agência (foto tirada por uma vítima)

Ela conta que registrou um boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia. Cícero Murilo compareceu lá e assinou um acordo de devolver o dinheiro em quatro partes, mas depois disso sumiu.

“Desde então nunca mais encontrei ele. O escritório da agência fechou e até o endereço da casa dele não mora mais ninguém. Eu emprestei dinheiro da vizinha pra trazer meu irmão”, relatou.

O portal SN apuro que a empresa G. Tour Viagens é registrada no nome de Cícero Murilo Patrício da Silva, mas não possuiu todas as documentações, segundo a Junta Comercial do Amapá (Jucap). Além disso, o proprietário responde a processos idênticos aos das vítimas do Amapá em Rondônia, Roraima e no Amazonas.

Segunda vítima

Dias depois do registro da ocorrência, Ana conheceu a técnica em contabilidade Suani Menezes Façanha, de 38 anos. Ela também foi vítima do empresário.

Segundo Suani Façanha, ela comprou no dia 22 de abril passagens para São Paulo para o dia 12 de julho ao preço de R$ 800 depositados numa conta que o empresário disse ser do filho dele.

“Vi o nome diferente e perguntei, mas o Murilo disse que era a conta do filho dele. Dias depois fui na companhia e me disseram que tinha uma reserva, mas não tinha nada pago para a empresa aérea”, explicou.

Suani Façanha: depósito em conta que empresário dizia ser do filho

“Ele dizia que ia resolver, mas demos pressão e nada. Ele começou a contar uma mentira atrás da outra e agora nem consigo mais contato dele”, destacou a técnica em contabilidade que tem a cópia da transferência bancaria.

Suani Façanha foi atrás da pessoa que tinha o nome da conta e descobriu que era uma outra vítima do Estado do Pará que estava pressionando o empresário.

“Eu entrei em contato com a pessoa pelo Facebook que me contou isso. Aí fui ver que tinha caído num golpe. Depois descobri mais três pessoas do Amapá na mesma situação”, relatou.

Comprovante de transferência bancária de Suani Façanha

Das cinco vítimas, uma inclusive pagou mais de R$ 5 mil à agência. Elas estão reunindo provas para ingressar com um processo na Justiça contra o empresário.

“A gente quer pegar esse pilantra. Ele ainda chegou a nos atender uma vez, depois sumiu. O escritório fechou e nem nos atende mais. É um estelionatário esse homem”, desabafou Suani Façanha.

Acordo assinado por uma das vítimas e Cícero Murilo na delegacia

Escritório abandonado

O portal SELESNAFES.COM foi ao escritório da G. Tour Viagens, na Mendonça Furtado. Mas, segundo informações, o espaço está fechado há quase um mês e meio. O locatário teria sido despejado por atraso no aluguel. No espaço ainda há uma fachada com o nome da empresa.

O contato da empresa, que é o (96) 99141-8087, no qual o empresário Cícero Murilo Patrício da Silva atendia aos telefonemas, hoje tem mensagem de número inexistente.

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