No PAI, crianças esperam até 14 horas por atendimento

Sesa diz que demanda vem das UBSs. Algumas crianças chegaram com quadro de convulsão
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OLHO DE BOTO

Corredores lotados. Calor. Muito choro de crianças. Pais cansados, com fome e angustiados. Essas cenas se repetem desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (16) no Pronto Atendimento Infantil (PAI), no Centro de Macapá.

A Secretaria de Saúde disse que a demanda foi gerada pelo fechamento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da prefeitura que estão em reforma.

São dezenas de pais acompanhando os filhos. As queixas são bem parecidas: garganta inflamada, febre alta, vômito, diarreia e problemas respiratórios.

Pais chegaram nas primeiras horas do dia. Fotos: Olho de Boto

As filas começam dentro do prédio e terminam do lado de fora.  

“Estamos desde as 8h com a minha irmã. Só quando vocês e o Conselho Tutelar chegaram é que ela foi colocada para dentro. Meu sobrinho está vomitando, com febre, e nada de ser atendido. Não tem nem previsão”, disse a dona de casa, Lucineia Duarte, por volta das 16h.

Calor, choro e fome

“Estamos aqui desde as 11h. Ela fez a ficha, mais ainda não chamaram ela. Estamos no calor e com fome. Minha filha tá muito gripada e com tosse”, queixou-se José Aldair, que acompanhava a filha.

Algumas crianças chegaram com quadro de convulsão e muita diarreia.

“Meu filho está com diarreia com sangue. Falei com a pessoa, mas disseram que tem outras crianças na mesma situação e não pode dar prioridade pra ela. Nós pagamos impostos para eles retornarem pra gente em forma de saúde e outros serviços, mas é isso que recebemos”, informou Yuri Alessandro.

Os pais chamaram o Conselho Tutelar da Zona Sul de Macapá. 

“Totalmente fora do padrão. Fere o Estatuto da Criança. Tem criança desde as 7h sem atendimento. Liguei para o promotor que disse que irá entrar em contato com a direção do hospital. Totalmente fora do padrão”, avaliou o presidente do conselho, Márcio Barreto.

Presidente do Conselho, Márcio Barreto, conversa com pais

Conselho acionou o Ministério Público

Segundo informações de pais, três médicos estavam atendendo os pacientes, mas as filas pareciam não andar.

A Secretaria de Saúde do Amapá ficou de emitir uma nota sobre o assunto, mas adiantou que o problema é causado pelas doenças típicas da época do ano e pelo fechamento de unidades dos bairros que passam por reformas. 

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