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SELES NAFES

O escândalo da relação nada republicana da JBS (Friboi) com a classe política brasileira bateu na porta do Amapá, pelo menos é o que afirma a delação do diretor da JBS, Ricardo Saud.

O executivo afirmou que o PMDB do Amapá recebeu R$ 500 mil a pedido de Renan Calheiros, em 2014. Contudo, o número não bate com a declaração do partido à Justiça Eleitoral.

O vídeo da delação, com mais de 4 horas de duração, foi divulgado no último dia 20. Nele, Saud explica que Renan Calheiros recebeu R$ 10 milhões de caixa dois em 2014, e que parte desse dinheiro seria usada em sua campanha pela reeleição à presidência do Senado. 

Renan foi reeleito pela 4ª vez em fevereiro de 2015, com 49 votos contra 31 de Luiz Henrique Alves, seu colega de partido. 

“R$ 9 milhões e 900. É, 1 milhão, que eu entendo também que o Renan usou parte desse dinheiro para preparar já sua eleição para a presidência do Senado. E parte desse dinheiro para eleger o seu filho Renanzinho, em Alagoas”, diz ele, em determinado trecho do depoimento.

Gilvan, presidente do PMDB: partido declarou R$ 435 mil, quando diretor da JBS diz que repassou R$ 500 mil em propina. Foto: Arquivo

A delação era para explicar como a empresa repassou propinas de mais de R$ 500 milhões para mais de 1,8 mil políticos de 28 partidos em todo o Brasil. Os repasses foram efetuados entre agosto e setembro. No caso do PMDB, que teriam sido R$ 10 milhões, o executivo detalhou como Renan queria que o dinheiro fosse distribuído.

“Um milhão para o PMDB de Alagoas, carimbado para o Renan Filho. Aí vem 300 mil para o PMDB de Sergipe, por ordem de Renan Calheiros; 500 mil para o PMDB do Amapá, por ordem de Renan (…)”, informou.

No entanto, não é esse o valor que aparece na declaração do PMDB ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) referente às eleições de 2014, quando o partido tinha como candidato Gilvam Borges, também presidente regional da legenda.

Doações da JBS ao PMDB: R$ 435 mil

No site do TRE, aparecem várias transferências da JBS ao candidato Gilvam Borges. São valores de R$ 3.625 a R$ 350 mil, mas que juntos somam pouco mais de R$ 435 mil, e não os R$ 500 mil supostamente repassados como propina. 

O portal SELESNAFES.COM tentou fazer contato com Gilvam Borges, mas sua assessoria informou que ele ainda não disse se irá se pronunciar sobre o assunto.

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