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JÚLIO MIRAGAIA

Foi revogada nesta sexta-feira (2) a prisão domiciliar da agente da Polícia Civil Iguaciara Moraes Castro, de 53 anos. Ela estava presa desde dezembro do ano passado, acusada de comandar um assalto à delegacia de polícia de Fazendinha. Em audiência realizada no Tribunal de Justiça do Amapá, a defesa da policial pediu novamente o habeas corpus, diante de um fato novo: a mudança do depoimento dos demais envolvidos no crime.

Durante a audiência, o grupo que acusava a policial de participação alegou que fora forçado a dar a falsa confissão sob tortura na delegacia. Eles teriam ficado mais de 6 horas sofrendo agressões e privados de beber água e se alimentar. De acordo com o advogado da acusada, Cícero Bordalo Junior, os exames de lesão corporal deram positivos.

“O delegado alegou que as pessoas foram lesionadas pelas algemas, mas as pessoas disseram que não estavam algemadas mas foram agredidas. Descreveram como apanharam, que ficaram mais de 6 horas sofrendo tortura”, explicou o advogado.

Iguaciara Moraes estava em prisão domiciliar desde dezembro

Outra tese que indicava a participação de Iguaciara Moraes Castro, era de que um suposto sobrinho seu recebia informações privilegiadas sobre a rotina da delegacia. Porém, segundo o advogado, a versão não se sustentou, pois o preso não é realmente parente da policial, mas sobrinho de um ex-companheiro seu e ela nunca o havia conhecido.

“Na audiência de hoje, as provas que o delegado tinha apresentado junto com os agentes estavam todas enfraquecidas, nenhuma foi confirmada. Já haviam dois habeas corpus, o juiz não se convenceu da acusação, o promotor falou que não tem nenhum prova para condená-la, pedi que ela fosse posta em liberdade. O juiz e o MP acataram o pedido e foi expedido o alvará de soltura”, disse Cícero Bordalo Junior.

O advogado comentou ainda que a acusada sempre negou qualquer tipo de participação no crime e que no momento interessa apenas comprovar a inocência de sua cliente. Posteriormente, será avaliada alguma possibilidade de processo.

“No momento o que interessa é comprovar que ela não participou do assalto. Ela está próxima de se aposentar, faltam dois anos”, finalizou.

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