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ANDRÉ SILVA

O Comissariado da Infância e Juventude de Macapá (CIJ) já autuou este ano 67 estabelecimentos entre boates, bares e eventos. Durante as ações, um total de 120 adolescentes foram flagrados fazendo uso de bebida alcoólica ou desacompanhados.

Meninas e meninos em situação de exploração sexual também são encontrados nestas fiscalizações. Até junho deste ano, foram 17. Mas esse número é maior, segundo o Conselho Tutelar da Zona Sul.

A última fiscalização realizada pelo CIJ aconteceu no último fim de semana. Um bar foi autuado e nele foi encontrado um adolescente de 17 anos ingerindo bebida alcoólica. O rapaz foi encaminhado para o Conselho Tutelar da Zona Sul e entregue aos pais.

Na mesma fiscalização, foram encontradas meninas de idades entre 14 e 17 anos se prostituindo. Elas engrossam a estatística desse tipo de caso na capital amapaense.

Virgílio Vieira: meninas e meninos são encontrados fazendo programas e encaminhados para o conselho tutelar. Foto: André Silva

O coordenador do comissariado, Virgílio Vieira, e a conselheira tutelar Huelma Medeiros, em entrevista ao portal SELESNAFES.COM, ajudaram a explicar um pouco a situação.

Qual a situação social em que essas meninas se encontram?

Vigílio Vieira: Bem precária. Pais desempregados ou deficientes. Na miséria praticamente. Para você ter uma ideia, entregamos uma adolescente ao conselho de 15 anos que se prostitui desde os 13. Segundo a conselheira, a menina é analfabeta, e tem déficit de atenção. É bem complicada a situação da família.

Já houve algum caso em que o adolescente é retirado deste tipo de situação e depois volta para o mesmo lugar?

Sim. O que acontece é que o ciclo não é fechado. Você pega a menina e leva ao conselho, o conselho por sua vez não tem para onde encaminhar, somente aos pais. Eles não são colocados para fazer um acompanhamento psicológico, depois uma oportunidade para fazer um curso técnico para que tenham uma outra opção. Então esse círculo vai até o conselho e não tem políticas públicas para amparar esses adolescentes e a culpa não é dos conselhos.

Ela dizem por que voltam?

Dinheiro. Elas fazem em média três ou quatro programas que dá mais ou menos R$ 250 e param. Elas dizem que não vão ganhar isso em nenhum lugar.

Vocês encontram apenas meninas nessa situação?

Não. Há meninos também. Alguns travestidos e outros não, até porque não tem condições de se travestir. Você encontra de tudo na rua.

Conselho tutelar

O principal local de pontos de prostituição é a Rua Claudomiro de Moraes, rua que liga três bairros da cidade de Macapá (Santa Rita, Buritizal e Congós), e que já foi denunciado algumas vezes no portal SELESNAFES.COM.

A conselheira tutelar Huelma Medeiros diz que as crianças e adolescentes que sofrem exploração sexual na maioria das vezes são induzidas pelas famílias, outras por necessidade econômica e outras por opção própria.

Ela disse que quase todos os dias aparecem casos desse tipo no conselho, o que faz os números de apreensões da CIJ não representarem a totalidade dos casos.

“Nós somos cinco conselheiros e esses casos são muito frequentes. Eu não sei te precisar a quantidade agora, mas já são mais que isso”, afirmou a conselheira.

Segundo ela, todas meninas que são acolhidas são encaminhadas para os centros de atendimento, dependendo de cada situação.

“Se nós percebemos que a família é responsável por essa exploração, nós fazemos um Boletim de Ocorrência e representamos  contra a família no Ministério Público”, explicou.

Foto de capa: arquivo/SELESNAFES.COM

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