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SELES NAFES

Uma moradora do município de Breves (PA), que estava passando férias em Macapá, vive um drama incomum. Ela passou três dias internada na UTI do Hospital São Camilo sem ter sido atendida pelo SUS. Resultado: em menos de três dias, a família já acumulou uma dívida de R$ 20 mil.

O drama começou na última terça-feira (18). Socorro Lopes da Silva, de 29 anos, estava há um mês em Macapá. Ela tem uma rotina cheia de restrições em função de uma doença neurológia que afeta as funções mais simples do corpo, como engolir saliva e até de respirar normalmente.

Nas crises, ela é sempre atendida no Hospital de Breves, onde é estabilizada até ter condições de voltar para casa.

Este ano, a família resolveu aproveitar as férias em Macapá para procurar tratamentos complementares, como fisioterapia e fonoaudiologia. No entanto, na última terça-feira, ela teve uma crise.

Em vez de levá-la para o Hospital de Emergência de Macapá, a família decidiu procurar socorro no Hospital São Camilo, que é privado. Os médicos decidiram interná-la às pressas na UTI, onde a diária custa R$ 7 mil.

“Minha irmã pagou R$ 2 mil pelo atendimento emergencial, mas não disseram pra gente que a diária custava R$ 7 mil. Falaram que no dia seguinte ela seria transferida para o Hcal (Hospital de Clínicas Alberto Lima), mas isso não ocorreu por falta de leito”, disse em prantos Gabriela Lopes, irmã da paciente.

Socorro Lopes: vida com restrições, crises e agora dívida de R$ 20 mil. Família permitiu imagens da paciente

Por volta das 16h, Socorro Lopes foi transferida para o Hcal. A família, no entanto, deixou o São Camilo com a dívida, e procurou orientação jurídica na Procuradoria da República e com o advogado Maurício Pereira.

“Que o Estado assuma essa dívida, porque na verdade esse atendimento é uma responsabilidade do Estado, já que a família chegou num momento de extrema necessidade”, avaliou o advogado.

O portal SELESNAFES.COM apurou que há alguns anos, o São Camilo passou a receber pacientes pelo SUS apenas se foram transferidos da rede pública. Ou seja, na chamada porta de entrada, que é o pronto atendimento, não existe mais atendimento pelo SUS.

Seguindo orientação do SUS e da Sesa, o hospital parou de converter internações particulares em atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Estão cobrando da gente. A partir da semana a gente vai ver como faz, se procura o Ministério Público, Defensoria…”, adiantou a irmã de Socorro, deixando claro que deve ingressar com uma ação judicial.

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