Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA

Ao todo, 110 novos gestores tomaram posse na sexta-feira (14) na direção do Sindicato dos Servidores Públicos em Educação no Amapá (Sinsepeap). Nós próximos quatro anos, a entidade será presidida pela professora Kátia Cilene de Mendonça Almeida, que promete uma diretoria unida e muitas mudanças na base da categoria.

Na entrevista, a nova presidente abriu a caixa preta do sindicato, revelando o número de 12,7 mil filiados e uma circulação financeira de R$ 258 mil mensais na entidade. Além das dívidas e ações judiciais existentes.

ex-presidente Aroldo Rabelo entregando as chaves do Sinsepeap para nova gestão. Fotos: Cássia Lima

Kátia já participou dos Conselhos de Segurança, Alimentar e de Saúde do Amapá, além de ser secretária da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Receptiva, ela concedeu entrevista exclusiva ao portal SN junto com o secretário geral, Otávio Brito; a diretora de aposentados, Maria Marlene; a diretora de patrimônio, Eneide Nascimento e Kelson Luiz, diretor de integração municipal.

Confira:

Como você recebe o Sinsepeap?

Estamos recebendo o sindicato numa situação constrangedora no sentido financeiro. Estamos com problemas financeiros e fazendo malabarismo para pagar os funcionários do sindicato. Temos dívidas e muitas situações judiciais. São 193 ações na Justiça Estadual e 25 na Justiça do Trabalho, há possibilidade das contas serem bloqueadas pela justiça. Estamos com aluguel deste prédio atrasado, assim como, as contas de luz e água.

Qual a sua opinião sobre a Agenda do Servidor?

Até o momento, eu nunca participei de uma reunião, mas o professor Otávio, que é o secretário geral pode falar.

O secretário Otávio Brito respondeu:

Esse canal de dialogo com o governo não funciona. Nossa luta é para nossas progressões. Não temos promoção e progressão há anos, além do que já perdemos com reajustes abaixo da inflação. Tivemos o golpe do parcelamento cruel que deixa nossos colegas doentes. Temos uma Secretaria de Educação que é um quartel militar onde não dialoga e não respeita nossa dinâmica de sindicato. Existe um assédio moral fortíssimo e queremos combater tudo isso. Estamos aqui pra lutar. Dentro dessa agenda, a gente enquanto sindicato perde a autonomia de dialogar direto com o governo e secretários.

Membros da nova direção que deram entrevista

Como a senhora pretende trabalhar a relação do sindicato com o Governo?

A relação é simples. Ele é o patrão e nós somos o sindicato. O governo tem agenda, assim como, o sindicato. Nós temos que dialogar pra entrar no consenso. Queremos dialogar e defender nossos direitos. Então, vamos estar atentos para não prevalecer o negociado em cima do legislado.

As obras da sede administrativa do Sinsepeap estão paradas há 9 anos. Como a nova diretoria pretende solucionar esse problema?

A categoria decidiu que os valores que foram incorporados à regência de classe no governo do Estado que passou, os valores da mensalidade do sindicato seriam para custear a obra. Nós deliberamos que se fizesse uma poupança para a conclusão da obra. Segundo o professor Aroldo (ex-presidente do Sinsepeap), tem R$ 1,4 milhão nessa conta. Eu ainda não tenho acesso ao extrato. Já estamos verificando essa situação para andar com as obras. Eu acredito que temos o dever de entregar essa sede.

Parte da nova diretoria na entrega da sala da entidade

A senhora já tem uma média da circulação financeira do Sinsepeap?

A diretora de patrimônio, professora Eneida Nascimento respondeu:

Temos 12,7 mil sindicalizados, mas os federais não estão contribuindo há dois anos. Desde quando o sindicato perdeu a rubrica. Estamos tentando reaver isso junto a uma consultoria em Brasília. Atualmente vivemos com a mensalidade e os repasses do município e do governo do Estado, que é o valor maior. Isso tudo chega a R$ 258 mil mensais.

Presidente, esse valor não dá pra pagar as contas do sindicato? Porque existem despesas atrasadas?

Dá pra pagar em parte. Porque temos uma folha de 48 funcionários que corresponde a 79% do nosso orçamento que em valores é R$ 81 mil e pouco. Mas tem os encargos que fazem esse valor dobrar. Além disso, as dívidas ocorreram pelo alto custo da eleição que aconteceu em todos os municípios e demandou uma enorme logística. O governo atrasou os repasses. Por isso ficamos sem recurso. Muitos servidores passaram pro quadro federal e com isso tivemos uma queda de receita. Tudo isso nos deixou sem recursos.

O que a senhora pretende fazer para mudar essa situação?

Fazer campanha de sindicalização. Queremos trazer transparência ao sindicato e fazer uma auditoria para que o recurso esteja disponível para consulta dos sindicalizados. Temos companheiros que viveram a diretoria passada e que estão nos ajudando a evitar esses erros. Estou tranquila e sabemos por onde ir.

Nova sede da entidade é uma das metas da nova gestão

Quais as prioridades dessa gestão?

Tem várias. Desde o financeiro até o combate ao assédio. Mas umas das coisas que estamos querendo mudar é o que o professor Aroldo não fez, que é atender os municípios. O interior do Estado está com um problema sério de mesa de negociação com os prefeitos que assumiram e não querem valorizar os professores. Tem prefeito que quer cortar 50% da regência de sala do servidor. Nosso papel é combater isso, mas antes vamos mapear os municípios. Vamos fazer um plano emergencial que inclui tudo isso até o funcionamento da nossa sede campestre. Temos muitos desafios.

O que a categoria da educação pode esperar dessa nova gestão?

A chapa foi montada por unidade das centrais sindicais. Então cada um de nós aqui tem habilidades. A categoria vai nos encontrar nas lutas e nas escolas. Nós queremos ouvir os companheiros, solucionar problemas, descentralizar ações e sempre estar ouvindo a base. Sabemos que os filiados querem o fim do parcelamento de salários e normativas do governo que precarizam nosso trabalho. Nossa categoria pode esperar luta e muito trabalho.

Compartilhamentos