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JÚLIO MIRAGAIA

A informação que correu redes sociais na noite de terça-feira (18) de um arrastão na Praça Floriano Peixoto, no Centro de Macapá, não foi confirmada pela Guarda Municipal.

De acordo com o comando da guarda, três motoqueiros armados teriam ido até a praça cobrar uma dívida com um usuário de drogas. A cena teria causado pânico em quem estava no local e correria.

Independente da existência ou não do arrastão, a disseminação do suposto fato e o que realmente aconteceu mostra a histeria coletiva em Macapá que não ocorre sem razão. Há um clima de medo na cidade devido o cenário de violência desenfreada dos últimos meses. Recordemos alguns casos.

Morte da jovem Carla Renata em junho comoveu e indignou. Foto: arquivo familiar

Um mês após a morte de Carla Renata em uma tentativa de assalto, o publicitário e professor de dança, Andrey Smith, foi vítima de latrocínio no Centro de Macapá. Foto: arquivo pessoal

Completou um mês a morte da jovem Carla Renata Souza dos Santos, de 17 anos. Ela retornava para casa após o ensaio na quadrilha junina, na madrugada do dia 17 de junho, quando foi assaltada e ao resistir em entregar o celular recebeu uma facada no peito. 

No último domingo (17), no dia em que a morte de Renata completa um mês, outro jovem perdeu a vida numa tentativa de assalto. O publicitário e professor de dança Andrey Smith Malcher, de 28 anos, andava de bicicleta pelo Centro com amigos, quando foi abordado por um homem que o esfaqueou, apesar dele não ter resistido ao assalto.

Na noite de segunda-feira (18) o assessor parlamentar Kleber Alexandre Morais Silva, de 37 anos, foi executado na frente de sua casa, na zona norte, com cinco tiros.

O terminal de ônibus do Bairro Congós, na zona sul, foi assaltado ao meio-dia da terça-feira (19), por dois homens armados que chegaram e saíram andando do local.

Rodoviários foram assaltados por criminosos que saíram andando em terminal no Congós. Foto: Olho de Boto

Esses e tantos outros casos, comoveram e impactaram a sociedade. Apesar do levantamento realizado pela Polícia Militar em maio apontar para uma redução no número de homicídios no Estado nos primeiros meses de 2017, com redução de 30% nos casos de latrocínio, a realidade mostra que os índices ainda são insuficientes por estarem inseridos num contexto mais crítico.

Segundo levantamento do jornalista Bolero Neto, entre janeiro e julho deste ano foram 97 homicídios com arma de fogo. Desses, 61 somente em Macapá e 14 em Santana. Com armas brancas, foram 64 homicídios. Sendo 27 em Macapá e 13 em Santana.

Os números realmente apontam uma pequena redução em relação ao mesmo período do ano anterior. Porém, outro levantamento, o da ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, divulgado em abril, aponta Macapá entre as 50 cidades mais violentas do mundo. 

Com uma taxa de 38,45 homicídios a cada 100 mil habitantes, a capital do Amapá aparece na 45ª colocação num ranking que apresenta as cidades mais violentas do planeta.

Macapá é a 16ª cidade com maior número de homicídios a cada 100 mil habitantes no Brasil. A cidade subiu três colocações em relação ao mesmo ranking no ano passado. Em 2016, a capital ocupava o 48º lugar. Em 2015, a cidade estava em 40º lugar.

Assessor parlamentar Kleber Alexandre Morais Silva foi executado na frente de sua casa, na zona norte. Foto: arquivo familiar

Números, fatos e a até mesmo a boataria são sintomas de que algo não vai bem. Buscar soluções urgentes para o problema posto na sala dos amapaenses é dever do poder público.

A equação entre medidas de segurança e políticas sociais deve refletir não somente nos números, mas na preservação de vidas como a de Carla Renata Souza e de Andrey Smith, que foram perdidas por conta da incapacidade de conter a crise social que se aprofunda.

Os boatos e informações distorcidas sobre violência na cidade informam algo além do fake news. Que há espaço para a disseminação de notícias sobre crimes bárbaros sendo reais ou não porque há de fato muitos crimes violentos ocorrendo. Não desejamos que a tendência seja de que a situação piore. Mas por enquanto, apesar dos números, sentimos que piora. 

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